Violência infantil: Hospital aponta que maioria das crianças atendidas tem até 6 anos e sofre agressões em casa

FONTE: Hospital Pequeno Príncipe

Base da Campanha Pra Toda Vida, levantamento de mais de dez mil atendimentos em duas décadas revela padrão persistente de violência contra crianças

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Imagem gerada por IA com edição de Wyntow Butenas

Ao completar 20 anos, a Campanha Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes, do Hospital Pequeno Príncipe, ganha ainda mais relevância diante de um cenário que se repete ano após ano em todo o país: a violência contra crianças é precoce, recorrente, e, na maioria dos casos, acontece dentro de casa. Ao longo de duas décadas, já são mais de dez mil casos atendidos, um volume que não apenas revela a dimensão do problema, mas permite identificar padrões consistentes.

Somente em 2025, o Hospital — maior e mais completo pediátrico do país — registrou 637 atendimentos de bebês, crianças e adolescentes com suspeita de maus-tratos e abusos. A análise desses atendimentos mostra que a violência sexual segue como principal ocorrência, presente em 64% das situações, e atinge majoritariamente crianças na primeira infância: 67% das vítimas tinham até 6 anos, sendo que uma em cada três tinha até 3 anos. Ao mesmo tempo, 72% das agressões ocorrem no ambiente doméstico, e 34% dos registros apresentam recorrência — indicando que a violência, muitas vezes, não é um episódio isolado, e sim um ciclo que se repete ao longo do tempo.

Casos extremos ajudam a dimensionar essa realidade: a criança mais nova atendida em 2025 com indícios de abuso sexual tinha apenas 6 meses de vida. Em outro episódio, um bebê de 10 dias precisou ser internado com múltiplas lesões físicas, sob cuidados intensivos.

Esse conjunto de evidências aponta para um cenário complexo: a violência é, ao mesmo tempo, íntima, silenciosa e difícil de ser identificada, especialmente porque atinge vítimas que ainda não conseguem compreender ou relatar o que vivem. Por isso, o enfrentamento passa necessariamente pelo olhar atento de adultos e pela atuação qualificada da rede de proteção. É a partir dessa necessidade que a campanha estrutura suas ações.

Uma das frentes da iniciativa é fortalecer a capacidade de adultos reconhecerem sinais de alerta e compreenderem que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo de agressão. Para isso, identificar mudanças de comportamento pode ser decisivo.

Alguns sinais que podem indicar situações de violência incluem:

  • mudanças bruscas de comportamento;
  • recusa ou dificuldade para dormir;
  • medo de determinadas pessoas ou lugares;
  • isolamento ou agressividade;
  • volta da evacuação nas roupas (após fase de desfralde — inclusive na adolescência);
  • queda no rendimento escolar;
  • conhecimento ou comportamento sexual incompatível com a idade.

A denúncia é o primeiro passo para interromper a violência — e pode ser feita de forma anônima:

  • Disque 100 (nacional)

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