*Por Eloilton Cajuhy
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Na manhã da última terça-feira (11), um homem, aparentemente em situação de sofrimento ou adoecimento mental, agachou-se em meio ao trânsito, em plena Praça Nova do Congresso, em Senhor do Bonfim. O episódio aconteceu em um dos horários de maior movimentação de veículos e chamou a atenção de quem passava pelo local, exigindo dos condutores ainda mais cuidado para evitar um possível acidente.
O caso foi filmado por um homem e posteriormente exposto nas redes sociais. Na publicação, além das imagens, foi utilizada a expressão “êta Bonfim que dá coisa”. Mas, diante de uma situação como aquela, talvez a primeira atitude devesse ser outra: tentar ajudar.
Infelizmente, seguindo o exemplo da publicação, algumas pessoas também optaram por fazer comentários desprezíveis sobre o episódio, tratando com deboche uma situação que, antes de qualquer julgamento, deveria despertar preocupação, cuidado e solidariedade.
Embora não seja novidade encontrar comentários depreciativos nas redes sociais diante de situações envolvendo pessoas em sofrimento mental, o episódio da Praça Nova nos leva a uma questão ainda mais importante: como está sendo tratado o cuidado com a saúde mental da população de Senhor do Bonfim?
O país enfrenta um cenário preocupante quando o assunto é saúde mental, e nossa cidade não está isolada dessa realidade. Diante disso, algumas perguntas precisam ser feitas: o CAPS está conseguindo atender adequadamente a todos que necessitam de acompanhamento? As unidades de saúde do município dispõem de profissionais e estrutura suficientes para atender à demanda por atendimento psicológico e outros cuidados relacionados à saúde mental?
O episódio ocorrido na Praça Nova reforça essas indagações.
O que mais chama a atenção é o fato de uma pessoa aparentemente em situação de vulnerabilidade ter permanecido naquele local, em meio ao trânsito e exposta a riscos, sem que, pelo que se observa nas imagens e relatos que circularam, recebesse imediatamente o acolhimento e a assistência necessários.
Não se trata apenas de um episódio isolado. Trata-se de uma situação que deveria servir de alerta para a sociedade e, principalmente, para o poder público.
Precisamos falar mais sobre saúde mental. Precisamos ampliar o acolhimento, fortalecer a rede de atendimento e, sobretudo, compreender que uma pessoa em sofrimento não precisa de julgamento, humilhação ou violência. Precisa de cuidado.
Aos que comentaram nas redes sociais que aquele homem “queria se aparecer” ou que “precisava de uma boa surra”, fica uma reflexão: que nunca tenham, no seio de suas famílias, alguém precisando de socorro por causa de um problema de saúde mental. Mas, se um dia acontecer, como gostariam que essa pessoa fosse tratada?
Porque é muito fácil julgar quando o problema está na vida do outro.
Difícil é compreender que sofrimento mental não escolhe família, classe social, idade ou condição financeira. Pode atingir qualquer pessoa.
O homem da Praça Nova não deveria ser lembrado apenas como alguém que parou o trânsito ou virou motivo de comentários nas redes sociais. Deveria ser visto como alguém que, naquele momento, aparentemente precisava de ajuda.
Saúde mental requer muito mais do que julgamentos e brincadeiras de mau gosto. Requer acolhimento, respeito, profissionais preparados, políticas públicas eficientes e, acima de tudo, humanidade.
Que o episódio da Praça Nova não seja apenas mais um assunto passageiro nas redes sociais. Que sirva para que todos nós — sociedade e poder público — façamos uma pergunta que não pode ser ignorada:
Estamos realmente cuidando da saúde mental da nossa gente?
**Eloilton Cajuhy – Locutor e radialista















