Propostas em debate na Câmara dos Deputados consideram vaquejada como prática esportiva; tema não é consensual

Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto

Dois projetos sobre a vaquejada foram aprovados pela Comissão do Esporte da Câmara. O tema vem sendo discutido há alguns anos pelos deputados. Um dos projetos (PL 2452/11), apresentado pelo deputado Efraim Filho (DEM-PB), considera o rodeio uma prática desportiva. A outra proposta (PL 7624/17), do ex-deputado Milton Monti, além de considerar a prática um esporte, inclui o rodeio na lista de manifestações culturais.

As propostas foram relatadas pelo deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), que defendeu a versão adotada pela Comissão de Agricultura, e subemendas da Comissão de Meio Ambiente.

O relator ressaltou a importância das vaquejadas para a história e a cultura do Nordeste e afirmou que são adotadas medidas para assegurar o bem-estar dos animais.

“Tanto um quanto outro injetam na nossa economia quase 4 bilhões de reais e geram de forma direta e indireta mais de 1 milhão de empregos. Tanto a vaquejada quanto o rodeio são esportes seculares no Brasil e que vêm de nossas tradições, de nossas raízes. São profissionais vaqueiros, são veterinários, são juízes, inspetores, artistas que tocam nessas festas, toda uma cadeia de emprego e uma cadeia econômica que também acompanha a vaquejada e o rodeio. Portanto, a partir de agora, esporte reconhecido pela Câmara dos Deputados na Comissão do Esportes”, falou o deputado Fábio Mitidieri.

A vaquejada tem sua origem nas fazendas nos séculos XVII e XVIII. Ao longo dos século XX, começaram a surgir eventos nos quais vaqueiros nordestinos passaram a mostrar habilidades nessa atividade, o que acabou se tornando tradição nas festas de muitas cidades. Mas, para o deputado Fred Costa (Patriota-MG), que votou contra o tema, a definição dessas atividades como esporte é um retrocesso.

“Esse parecer vai na contramão daquilo que tem sido o Norte mundialmente, que é o bem estar animal. Não podemos mais admitir que aquela alegação pseudocultural da prática da vaquejada e do rodeio, que esses fazem parte do nossos usos e costumes, possam sobrepor à vida, nesse sentido, a vida dos animais. Vou mais uma vez provocar: pra quem acha normal a prática da vaquejada, que puxa o rabo do animal, experimente puxar o seu cabelo!”

O Supremo Tribunal Federal, neste ano, considerou inconstitucional uma lei que regulamentava a vaquejada no Ceará e rejeitou as tentativas de reversão da decisão apresentadas pela Associação Brasileira de Vaquejada. Na Câmara, o projeto que considera o rodeio e a vaquejada prática esportiva agora vai ser analisado pela Comissão de Constituição e de Justiça e não precisa passar pelo Plenário. Já a proposta que, além de considerar esporte, inclui o rodeio e a vaquejada como manifestação cultural, precisa da análise final pelo Plenário.

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