Luana Dratovsky transformou uma primeira tentativa frustrada em determinação e cinco anos depois garantiu vaga em universidades estadunidenses de prestígio com bolsas que acumulam R$ 3 milhões.
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Sonhos podem começar de muitas formas: numa aula, numa conversa ou até mesmo assistindo um filme. Foi assim, vendo a vida universitária nas telonas, que nasceu o desejo de Luana Dratovsky de estudar fora do país. Sonho que se realizou em 2026 com a aprovação em seis universidades dos Estados Unidos.
Formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), a soteropolitana deu o primeiro passo para realizar esse sonho em 2020, quando se candidatou para programas de pós-graduação nos Estados Unidos, e foi aprovada na Columbia University, uma das oito universidades da Ivy League.
🔍 ENTENDA: Ivy Leagues são um grupo de oito universidades de elite dos Estados Unidos. As instituições são conhecidas pela exigência, tradição e forte impacto mundial. São elas: Harvard University, Yale University, Princeton University, Columbia University, University of Pennsylvania (UPenn), Brown University, Cornell University e Dartmouth College.
A pegadinha veio depois: a aprovação não incluía bolsa de estudos. Luana teria que arcar com um custo de US$ 200 mil (aproximadamente R$ 1.038.000, na época), valor sem incluir as despesas para se manter em Nova York. Sem condições de bancar o programa, precisou abrir mão do sonho, pelo menos temporariamente.
“Fiquei muito frustrada, né? Eu falei: “Caramba, me falaram sim, só que me falaram não ao mesmo tempo”, lembrou.
Mas, em vez de se deixar abater e transformar aquele “não” em obstáculo, ela fez o oposto: usou a resposta como combustível. Traçou uma estratégia para aprimorar o currículo e se capacitar na área de Gestão Pública. Cinco anos depois, a aprovação veio em seis universidades diferentes e com bolsas que somam mais de US$ 3 milhões (R$ 15.497.400).
Caminho até o sonho
Ao longo dos quatro anos depois da frustração, Luana investiu na própria formação. Passou por organizações de referência, concluiu o mestrado e representou instituições brasileiras em espaços internacionais. Em 2023, co-fundou o Instituto Aleias, um empreendimento social dedicado a ampliar a presença de mulheres em posições de liderança no setor público.
“Nunca pensei em desistir, fiz um acordo comigo mesma. O que eu posso fazer que vai me tirar da minha zona de conforto e me desenvolver em diversos aspectos da vida, seja profissional, acadêmico, pessoal, esporte?” contou a soteropolitana.
Na nova tentativa a decisão de escolha de aplicação para os programas foi diferente. Em 2020, a baiana se inscreveu somente para mestrados em políticas e administração pública, já em 2025, adicionou o programa de MBA (Master of Business Administration — gestão de negócios e liderança) no ciclo de interesse.
O esforço, estratégia e persistência se traduziram em resultado em 2025. A resposta chegou somente em 2026 com a boa notícia da aprovação em programas em seis diferentes universidades, entre elas quatro Ivy Leagues: Harvard, Princeton, Yale e Columbia.
Luana conseguiu aprovação dupla na Universidade de Harvard, em dois cursos, o que abriu possibilidade de em menos tempo conquistar dois diplomas.
A baiana também foi selecionada como bolsista do Instituto Ling e reconhecida pelo Person of the Year Fellowship Program (Programa de Bolsas “Personalidade do Ano”, em tradução livre), uma parceria com a Câmara Americana de Comércio Brasil–Estados Unidos. Essa bolsa representa um reconhecimento a candidatos aceitos para cursos nos Estados Unidos que se destacaram durante o processo seletivo.
A escolha
A decisão foi difícil. De um lado, o sonho antigo de estudar na Columbia e morar em Nova York, e do outro um programa duplo em uma universidade que Luana nem cogitava passar.
“Eu nunca vou passar em Harvard. Não é para mim, é para gênios, sabe? Em filme, em série é sempre assim”, lembrou Luana sobre a ideia que tinha na época.
A rotina fora do campus também pesou na hora da escolha. Columbia fica em Nova York, cidade mais populosa dos EUA e apelidada carinhosamente como “The city that never sleeps”, a cidade que nunca dorme, e que é conhecida por ser viva e dinâmica em termos culturais e de diversidade, aspecto que atraíam bastante Luana em 2020.
“Eu cansei um pouco da vida caótica e Nova York é uma cidade caótica. Então também foi um dos fatores. Cambridge, que é onde fica Harvard, é perto de Boston. É uma cidade mais tranquila, é onde eu vou poder de fato fazer uma imersão na universidade, viver aquela vida então além de ser Harvard, foi pela cidade também.” conta Luana ao g1.
Mudanças desde cedo
Luana Dratovsky cresceu em Salvador, e ao longo da vida teve experiências morando por períodos curtos na Argentina e Estados Unidos por conta do trabalho do pai.
Aos 17 anos, com a nota do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), tomou a primeira grande decisão de se mudar para cursar Relações Internacionais na Universidade de São Paulo (USP).
A capital paulista foi palco para as diversas especializações e conquistas de Dratovsky que a levaram para que, aos 28 anos, fizesse novamente as malas e embarcasse para seu sonho.
Com a influência dos filmes e séries hollywoodianos que têm Nova York como cenário, a cidade sempre teve um lugar no coração de Luana. Por isso, a Universidade de Columbia estava no topo da lista em 2020. Mas entre uma tentativa e outra, algo mudou: a vida agitada de Nova York perdeu na balança contra a tranquilidade de Boston, cidade onde fica a universidade de Harvard, que acabou sendo a escolhida por Luana para viver nos próximos 3 anos.
Fique de olho
Os programas de bolsas universitárias funcionam de formas diferentes a depender do país e das universidades. Algumas olham para as experiências prévias, outras para pessoas fazem recomendações, ou para notas e histórico escolar da graduação.
No Brasil, existem instituições que facilitam esse processo ou até mesmo oferecem bolsas de estudo pra estudar no exterior.
Instituições:
- Fundação Estudar: Concede bolsas de estudo e mentoria para graduação, pós-graduação e intercâmbios por meio do programa Líderes Estudar
- Fundação Lemann: Investe na formação de talentos e lideranças brasileiras com foco em pós-graduação em universidades de excelência no exterior (Lemann Fellowship0
- Instituto Ling: Oferece auxílios financeiros direcionados a mestrados e MBAs em universidades renomadas na Europa e nos Estados Unidos
- CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior): Oferece bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições estrangeiras
- CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico): Focado em pesquisas científicas, estágios e intercâmbios acadêmicos internacionais














