Thaise Lanuzza, de 38 anos, carrega no sangue o amor pela música nordestina
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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A trajetória da cantora e compositora Thaise Lanuzza, de 38 anos, até parece roteiro de filme. Mas daqueles gravados no interior do Nordeste. Mais precisamente, na zona rural da Bahia. Criada entre sanfonas e festas juninas, ela trocou as pistas de bicicross pelos palcos de forró e hoje vive o sonho de levar a cultura nordestina para diferentes cidades do estado.
A artista vem conquistando espaço no cenário do forró tradicional e já é conhecida como “Rainha dos Festivais”, título que recebeu após uma sequência de apresentações em eventos culturais pela Bahia.
Natural de Jaguarari, cidade de 34 mil habitantes do norte baiano, Thaise cresceu entre cidades do sertão acompanhando os pais músicos. O pai cantava na banda Trem de Luxo, enquanto a mãe fazia backing vocal. Apesar da convivência intensa com a música, ela garante que nunca foi pressionada a seguir carreira artística.
“Meus pais nunca forçaram a gente a entrar na música. Eu e meus irmãos crescemos acompanhando os shows, mas sem aquela obrigação de ser cantor”, conta. A relação afetiva com o forró, no entanto, nasceu ainda na infância, nas temporadas que passava na casa da avó, no sertão de Uauá. As músicas de Luiz Gonzaga embalavam o cotidiano da família e hoje são parte essencial do repertório da artista.
Eu cresci ouvindo Luiz Gonzaga no rádio, vendo as fogueiras, fazendo quadrilha, vivendo aquele clima do interior. O forró sempre esteve dentro de mim. Thaise Lanuzza, cantora e compositora

Vida de atleta
Antes de subir aos palcos, Thaise construiu uma trajetória completamente diferente. Através do atual marido, companheiro desde a adolescência, foi incentivada a praticar bicicross. Assim, o que começou como hobby virou profissão. Ela se tornou atleta profissional, conquistou títulos baianos e brasileiros e percorreu o país disputando competições. “Ele comprou uma bicicleta para eu aprender a andar junto com ele e acabou mudando minha vida. Viajei o Brasil inteiro competindo”, relembrou.
A carreira no esporte durou até 2016. Depois disso, Thaise decidiu estudar e se formou em Fisioterapia, área em que ainda concilia com a carreira musical. A música só passou a ocupar espaço central em sua vida durante a pandemia da covid-19.
Com o isolamento social, o marido decidiu aprender a tocar sanfona com o pretexto de que ajudaria o pai e o irmão de Thaise, que são músicos. Foi então que começou a pedir para Thaise cantar enquanto ele praticava o instrumento. A brincadeira acabou revelando um talento até então escondido. Assim como foi com o esporte, a participação do marido foi essencial para o mundo na música.
“Ele dizia: ‘Você nunca cantou na vida?’. E eu mesma não acreditava muito. Mas fomos estudando repertório, pesquisando música, ensaiando em casa e aquilo começou a crescer naturalmente. Como fui atleta, sempre me dediquei a tudo que fiz. Com a música não seria diferente”, afirma.
Sucesso
Após pequenos shows em bares, festas e eventos intimistas, a cantora começou a chamar atenção do público. Com a disciplina herdada do esporte, mergulhou na preparação artística, estudou repertório, montou banda e passou a circular em festivais de forró pelo interior baiano.

Nos últimos anos, Thaise se apresentou em eventos tradicionais como o São João de Mucugê, São Pedro de Ipecaetá, São João de Andaraí, Concurso de Quadrilha Junina de Feira de Santana, Festival de Forró da Chapada e Festival de Forró de Lençóis. Em 2024, recebeu o Troféu São João na Bahia como cantora destaque.
“Cada festival foi acontecendo no boca a boca. Um organizador via o show e chamava para outro. Quando percebi, já estavam me chamando de Rainha dos Festivais”, contou.
Hoje, Thaise aposta em um repertório que mistura o forró pé de serra tradicional com uma linguagem mais moderna e dançante. Além das releituras de clássicos nordestinos, a artista também investe na carreira autoral. Em 2022 lançou “Chip Clonado”, seu primeiro trabalho próprio. Depois vieram “É Dia de Forró”, em 2023, e “Meu Dengo”, lançada em 2025 junto com um clipe no YouTube.
Thaise afirma que uma de suas missões de vida é defender o espaço do forró durante o ano inteiro e ampliar a presença feminina nas grades de eventos culturais.
“O forró é patrimônio cultural do nosso país. A gente precisa manter essa tradição viva e valorizar mais os artistas do gênero, não só no São João”, defende.













