Ex-primeira-dama reagiu nos stories a reportagem que aponta nova crise entre seu entorno e o grupo do senador após o caso Master
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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A temperatura voltou a subir no clã Bolsonaro. Em meio ao desgaste crescente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o escândalo envolvendo o Banco Master, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi às redes sociais tentar apagar o incêndio de um novo “racha” interno. A estratégia, no entanto, acabou expondo ainda mais a distância entre os dois.
A reação ocorreu após a publicação de uma reportagem apontando que aliados do núcleo de Michelle estariam se distanciando do senador para evitar contaminação política. Nos stories do Instagram, ela compartilhou um print da notícia e enviou um recado direto. Em letras garrafais, cravou: “Eu não tenho grupos”.
“Pertenço a um movimento que influencia pessoas de bem a estarem na política, por um projeto transparente de transformação, movido por valores inegociáveis para edificação da nossa Nação”, escreveu a ex-primeira-dama.
O silêncio ensurdecedor de Michelle Bolsonaro sobre Flávio
O que mais chama atenção na manifestação de Michelle, contudo, é justamente o que ela escolheu não dizer. Ao tentar afastar a pecha de líder de uma facção interna, a ex-primeira-dama fez um controle de danos pessoal, mas não dedicou uma única palavra de defesa pública ao enteado, sequer citando-o nominalmente.
Flávio sangra politicamente desde que vieram a público suas tratativas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, envolvendo pedidos de financiamento para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. O episódio desidratou a articulação do senador fluminense para se consolidar como o herdeiro natural do pai na corrida presidencial.
A postura de “lavar as mãos” adotada por Michelle não é inédita. Como já destacado pela Fórum, ela preferiu a ironia ao ser questionada publicamente sobre o caso Vorcaro durante um evento recente no Distrito Federal. Com um sorriso no rosto, resumiu a ópera dizendo que não iria se meter no assunto.
A guerra fria pelo espólio bolsonarista
O escândalo do Master funcionou como um catalisador de uma disputa por espaço que há tempos toma conta dos bastidores da extrema direita. De um lado, o grupo de Flávio tenta manter a hegemonia. Do outro, Michelle se fortalece como um polo de poder independente, amparada pelo forte capital eleitoral que detém entre os evangélicos e o eleitorado feminino conservador.
Essa fricção já havia transbordado para o resto da família. O vereador Carlos Bolsonaro, por exemplo, não perdoou uma indireta disparada por Michelle no auge das revelações sobre Vorcaro e partiu para o ataque contra a madrasta nas redes.
No fim das contas, a publicação de Michelle não encerra a crise, apenas a redefine. Ao negar a existência de divisões internas sem estender a mão para resgatar Flávio do desgaste, ela deixa claro que, no atual xadrez do bolsonarismo, cada um joga por si.













