Por Marlon Reis
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A decisão da Câmara de Senhor do Bonfim nesta quinta-feira (16) não foi apenas uma votação: foi um recado claro e preocupante sobre as prioridades do Legislativo.
O Projeto nº 03/26, de autoria dos vereadores Cleiton Vieira e Weslen Aquino, não tratava de vaidade política, nem de interesses obscuros. Pelo contrário: propunha algo básico, urgente e humano: a capacitação de cuidadores e profissionais da educação para lidar com crianças neuroatípicas na rede pública. Um tema sensível, necessário e cada vez mais presente nas famílias bonfinenses.
O projeto seguiu todo o trâmite legal, recebeu pareceres favoráveis das comissões mais relevantes da Casa, passou pelo crivo jurídico e, ainda, foi aprovado por unanimidade na sessão do dia 12 de março. Ou seja, não havia dúvida sobre sua legalidade ou importância. Até então, parecia que o Legislativo estava, de fato, cumprindo seu papel.
Mas bastou o veto do Executivo para que tudo mudasse.
Em uma reviravolta difícil de justificar diante da população, a Câmara decidiu manter o veto por 9 votos a 5, contrariando não apenas os autores do projeto, mas também o próprio posicionamento anterior dos vereadores.
A aprovação do veto escancara uma prática já conhecida, mas sempre negada: a subserviência de parte do Legislativo ao Executivo. Quando vereadores aprovam um projeto por unanimidade e, semanas depois, votam para derrubá-lo sem qualquer mudança no conteúdo, o problema não está no projeto, está na postura.
É difícil não enxergar na decisão um exemplo clássico de politicagem, onde interesses políticos se sobrepõem às necessidades reais da população. E isso acontece justamente em um tema que exige responsabilidade e compromisso social.
Num mês simbólico de conscientização às pessoas que necessitam de atenção especial, o que se viu foi exatamente o oposto: um descaso institucional.
A Câmara de Senhor do Bonfim perdeu a oportunidade de mostrar independência e respeito com quem mais precisa. A conta dessa decisão não será paga nos bastidores da política, será sentida, nas salas de aula e na vida de famílias inteiras.













