Hugo Motta administra divergência com Executivo sobre projeto da escala 6×1
Por Carolina Linhares, Caio Spechoto e Augusto Tenório/Folha de S.Paulo
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Na semana em que se agravou a tensão entre o Supremo Tribunal Federal e o Legislativo, a relação entre o presidente Lula (PT) e o Congresso teve sinais de melhorias, principalmente com sinalizações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O parlamentar e o petista estavam afastados desde a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.
Lula enviou a mensagem que formaliza a escolha para o tribunal apenas no último dia 1º, mais de quatro meses após ter anunciado publicamente o nome de Messias, e havia receio de que Alcolumbre segurasse o processo por mais tempo.
O presidente do Senado, no entanto, deu início à tramitação e marcou a sabatina para o próximo dia 28.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre ficou evidente na terça-feira (14), quando o petista e o parlamentar trocaram cochichos no evento de posse do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.
Em seu discurso na ocasião, o senador exaltou o diálogo, a boa política, a construção de entregas por várias mãos e fez uma série de elogios à ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), até então responsável pela relação do governo com o Congresso — ela deixou a pasta para poder concorrer ao Senado.
A presença de Alcolumbre em uma cerimônia eminentemente política do Planalto, assim como seu discurso e os cochichos com Lula, foram lidos por petistas como gestos simbólicos da nova fase na relação entre os políticos.
Quem acompanhou a crise entre o presidente da República e o do Senado diz que o problema foi a falta de um diálogo frequente entre eles. Entre o fim do ano passado e os primeiros meses deste ano, eles voltaram a se conversar por telefone.
Câmara
No caso da Câmara, a aproximação entre Lula e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi consumada no fim do ano passado, quando o petista nomeou Gustavo Feliciano, aliado do deputado, como ministro do Turismo.
Desde então, Motta tem tentado administrar as divergências da Câmara com o governo em relação a propostas como o fim da escala 6 x 1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, além do veto à redução de penas para os condenados pelos atos golpistas.
As posições dele na Casa já vêm sendo favoráveis ao governo desde o fim do ano passado, quando foram aprovadas propostas importantes para o Planalto, como a isenção do Imposto de Renda.













