Del Feliz defende as raízes do forró em busca de título de Patrimônio da Humanidade: “Símbolo da alma de um povo”

Por Bianca Andrade/Bahia Notícias

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O forró pode atingir um novo patamar de reconhecimento internacional. O estilo, nascido no Brasil e característico da região Nordeste/Norte, busca o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade junto à Unesco, cinco anos após o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarar as matrizes tradicionais do forró como Patrimônio Cultural do Brasil.

A luta pode parecer recente para quem não acompanha os bastidores, mas, de acordo com o cantor e compositor baiano Del Feliz, que se tornou um embaixador da cultura nordestina e do forró no mundo, a busca pelo reconhecimento internacional é antiga e árdua.

Em entrevista ao Bahia Notícias, o forrozeiro, que se tornou padrinho da campanha, relembrou o caminho feito pela Associação Cultural Balaio Nordeste (ACBN), organização voltada para a valorização, preservação e difusão do forró tradicional (pé de serra) e da cultura nordestina, que existe desde 2008 e é presidida pela produtora cultural Joana Alves.

“Esse processo começou em 2011, através do Balaio Nordeste e de Dona Joana na luta para que o forró se tornasse o patrimônio cultural do Brasil. Eu fui convidado para representar, a princípio, a Bahia, e culminou que, nessa andança por 14 estados, Dona Joana acabou me convidando para ser o padrinho nacional da campanha durante o percurso, pelo meu empenho, pela minha presença.

E em 2021 nós recebemos o título de Patrimônio Cultural do Brasil. E a partir dali eu comecei essa caminhada já no processo para o forró se transformar em patrimônio da humanidade, uma outra contribuição.

Já estive na Unesco, fomos recebidos pela Fumiko Ohinata [secretária da Convenção de 2003 para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial na UNESCO], estivemos agora em Lille [França] recentemente no Le Grand Sud [Festival Internacional do Forró de Raiz], fazendo um super show junto com Elba, Santana, Mestrinho, em que nós formalizamos ali um início dessa caminhada. Então, tem toda uma história”.

Na última semana, Del representou a Bahia na entrega do dossiê de candidatura do Forró de Raiz a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade à Unesco, em evento realizado em João Pessoa, na Paraíba.

O encontro reuniu representantes dos nove estados do Nordeste, além de integrantes do movimento cultural, e marcou uma etapa do processo que agora segue para análise internacional. A mobilização envolve os nove estados nordestinos, além de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Distrito Federal, governos, fóruns culturais e artistas.

“Na última semana, aconteceu a entrega formal ao Iphan dos últimos documentos, seguindo todas as recomendações da Unesco, para que o forró se torne patrimônio da humanidade, o que provavelmente acontecerá em 2030”.

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