Reflexos da pandemia na educação serão debatidos na Comissão da Covid do Senado

FONTE: Marcella Cunha - Rádio Senado

Documento aponta que a aprendizagem no Brasil pode regredir até 4 anos sem aulas presenciais
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A pandemia pode deixar até 70% das crianças brasileiras sem condições de ler e entender um texto simples aos 10 anos de idade. A conclusão é do relatório do Banco Mundial sobre o impacto do coronavírus na educação da América Latina e do Caribe.

A chamada pobreza de aprendizagem foi agravada pelo fechamento das escolas, que deixou cerca de 48 milhões de alunos sem aulas no Brasil. Em sete estados, mesmo em escolas privadas, as aulas presenciais seguem proibidas. O impacto da covid-19 na educação será tema de uma audiência pública na comissão que acompanha as ações de combate à pandemia. Para o vice-presidente, senador Styvenson Valentim, do Podemos do Rio Grande do Norte, a tecnologia pode ser uma aliada para ampliar o alcance das aulas remotas.

“A gente está com um abismo de quase dois anos, em que alunos de escolas públicas não têm chip, não têm computador, não estão assistindo à aula, não têm condições. O Governo Federal não teria como promover aulas por vídeo a distância, pela televisão, uma vez que nem todo mundo tem internet? Eu vi isso acontecer durante o Enem. Foi por curto tempo, mas aconteceu. Vai ser difícil a gente recuperar esse lapso temporal”.

Aspectos econômicos e regionais ampliam ainda mais a desigualdade no acesso à educação remota, que já era desproporcional no modelo presencial. Enquanto 52% dos alunos do Nordeste participaram de atividades à distância, na região Sul esse percentual chegou a 92%, segunda uma pesquisa da Fundação Lemann. O documento, aponta, ainda que a aprendizagem no Brasil pode regredir até 4 anos sem aulas presenciais.

Para o debate, estão confirmadas as presenças do secretário de Educação Básica do MEC, Mauro Rabelo, e do presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Luiz Miguel Garcia. A comissão também espera ouvir representantes do Instituto Ayrton Senna, do Movimento Todos pela Educação e do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

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