No programa desta sexta-feira (16), cantora falou sobre depressão: “Sou a pessoa mais tímida que conheço. E luto todos os dias contra isso“

Uma das vozes mais famosas do Brasil abre a sua intimidade em livro e música. No Conversa com Bial desta sexta-feira (16), Paula Fernandes lançou o livro ‘Pássaro de Fogo’, sua biografia, e a música ‘Me queimo sem você’, que teve sua primeira apresentação no programa. Na presença de sua mãe, Dulce Souza, e da escritora Sibelle Pedral, responsável de colocar sua história no papel, a cantora recordou momentos da infância e da adolescência, revisitou a carreira e se emocionou ao relembrar ter sofrido de depressão.
INFÂNCIA
“Eu nunca tive pressa de crescer. Acho que a minha necessidade de trabalhar desde cedo foi tão forte, tão pesada, que eu com 10 anos, já pensava sobre isso: ‘se eu pudesse, parava aqui’. Mal sabia eu que ainda tinha muito trabalho pela frente e muita coisa para fazer e muita responsabilidade”.
CRIAÇÃO NA ROÇA
“Quando morava na roça, eu ficava 30, 40 dias sem ver ninguém. Ficava ali com os bichos e, para mim, era ótimo. O meu vizinho mais próximo era a muitos quilômetros. Isso, com certeza, influenciou muito nesse meu lado tímida — o que é até contraditório, porque me tornei artista, que lido com milhares de pessoas, e no meu íntimo sou a pessoa mais tímida que eu conheço. E eu luto diariamente para lidar com isso”.
INÍCIO NA MÚSICA
Convidada a participar da conversa, a mãe da cantora, Dulce Souza, lembra da primeira vez que viu a filha cantar: “Ela teve que cantar três vezes, porque eu não acreditava que um ser tão pequeno, tão magro, tinha uma voz tão possante“, diz.

DEPRESSÃO
Na adolescência, a cantora desenvolveu um sério quadro de depressão e a mãe lembrou os principais sintomas que começou a perceber em Paula de que havia algo errado. Até que tudo culminou em uma tentativa de suicídio.
“Eu lembro que escolhi a janela do hotel e, na hora que eu falei com ela, ela disse: ‘Você pode pular, mas eu vou primeiro'”, recorda Paula. “Ela chegou perto da janela e falou: ‘Eu vou pular’. E eu disse: ‘Eu pulo primeiro, porque eu não vou suportar. Se você pular, eu vou pular'”, conta Dulce.
E Dulce ainda completou:
“Eu acho que ela imaginava que a gente amava a cantora, porque ela cresceu com isso, a gente cuidando da cantora. É como se a Paula fosse esquecida, e realmente ela foi esquecida, eu assumo. Porque é tudo muito intenso, muito difícil”.













