Não é piada: Mesmo com São Paulo sem água, Alckmin ganhará prêmio de gestão hídrica

A indicação para o prêmio ao governador paulista foi do deputado federal João Paulo Papa (PSDB/SP) e aceito por unanimidade pelos parlamentares membros da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara

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O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) em entrevista sobre a crise de abastecimento de água. Foto de Alan Marques / Folhapress.

Milhares de pessoas na Grande São Paulo diariamente tomam banho de caneca, pois seus chuveiros estão completamente sem água durante a maior parte do dia. Ainda assim, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), receberá da Câmara dos Deputados, em Brasília, um prêmio por sua gestão frente à crise hídrica.

O governador é um dos vencedores do prêmio Lucio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação que, segundo os deputados, visa reconhecer as iniciativas que buscam a melhora da vida dos cidadãos. Para receber o prêmio, o governador paulista foi indicado pelo deputado federal João Paulo Papa (PSDB/SP).

Segundo Papa, Alckmin foi escolhido por causa dos avanços de São Paulo, nos últimos anos, para atingir a universalização do saneamento. Para o deputado, esses avanços estão acima da média em relação ao resto do país.

Papa afirma também que a atual crise hídrica em São Paulo apenas joga luz no esforço do governador em relação ao saneamento básico. Após a indicação do deputado, Alckmin foi eleito de maneira unânime pelos parlamentares membros da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara.

Segundo especialistas do meio acadêmico, o governo estadual demorou para tomar iniciativas de enfrentamento à escassez de água. Um dos antigos críticos ao governo é o atual presidente da Sabesp (empresa paulista de saneamento), Jerson Kelman. Antes de ser escolhido para o cargo, ele havia criticado a demora do governo estadual em adotar medidas antipopulares que pudessem frear o consumo de água da população. Na época, Kelman criticava a não adoção de uma tarifa mais cara para consumidores que aumentassem o consumo de água.

A crítica foi feita em 2014, ano eleitoral que reconduziu Alckmin ao posto de governador. A tarifa mais cara para os “gastões” como o próprio governador gosta de chamar, só foi instituída um ano após o início da crise e depois de sua reeleição. (*Fabrício Lobel, via Folha Online).

Alckmin diz que prêmio sobre gestão hídrica é ‘modéstia à parte, merecido’ – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira (23) que irá a Brasília receber um prêmio da Câmara dos Deputados pelo seu trabalho à frente da Sabesp e da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.

“Modéstia à parte, é merecido”, disse Alckmin sobre a premiação durante reunião dos Conselhos Comunitários de Segurança da Grande São Paulo (Consegs), na região Central de São Paulo. O estado passa, desde o ano passado, pela maior crise hídrica de sua história. “O prêmio não é para mim, mas para toda população de São Paulo, e ao esforço feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e pela Sabesp.”

“São Paulo é hoje um modelo para o Brasil do ponto de vista de recursos hídricos. Por quê? Primeiro, não teve seca só em São Paulo. Teve em 1.500 municípios. O único ente federativo que deu bônus para evitar desperdício foi São Paulo. Nenhum estado, nenhuma prefeitura, nem o governo federal, ninguém fez nada. Nós demos o bônus”, disse. (*G1 São Paulo)

 

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