Maternidade após o câncer de mama pode ser possível, mas exige planejamento

Preservação da fertilidade e acompanhamento médico são importantes para mulheres que desejam engravidar após o tratamento.

Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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📷 Reprodução / www.silviobromberg.com.br

Receber o diagnóstico de câncer de mama pode trazer, além das preocupações relacionadas ao tratamento, dúvidas sobre a possibilidade de ter filhos no futuro. Para mulheres em idade reprodutiva, a preservação da fertilidade e o planejamento de uma possível gestação devem fazer parte da conversa com a equipe médica desde o início do tratamento.

A quimioterapia pode reduzir a reserva ovariana e, em alguns casos, provocar menopausa precoce. Esse impacto varia conforme a idade da paciente, os medicamentos utilizados, as doses e as características individuais. Por isso, a avaliação da fertilidade não deve ser deixada para depois do tratamento.

Entre as alternativas disponíveis para algumas pacientes estão o congelamento de óvulos, de embriões e, em situações específicas, de tecido ovariano. No entanto, nem todas as mulheres conseguem realizar esses procedimentos antes do início da terapia, especialmente quando o tratamento contra o câncer precisa começar rapidamente.

Outro fator importante é a idade. Mesmo quando a função ovariana retorna após a quimioterapia, a fertilidade feminina diminui naturalmente ao longo dos anos. Assim, o planejamento reprodutivo deve considerar a idade, a história reprodutiva, a reserva ovariana e as características do câncer e do tratamento realizado.

Uma das principais dúvidas é se uma futura gravidez pode aumentar o risco de o câncer de mama voltar. Especialistas destacam que estudos recentes trazem evidências importantes para mulheres selecionadas, especialmente aquelas com câncer de mama inicial e receptores hormonais positivos.

O estudo POSITIVE, publicado em 2023, acompanhou mulheres de até 42 anos que desejavam engravidar. Entre as participantes avaliadas para gravidez, 368 tiveram pelo menos uma gestação e 317 tiveram nascimento com vida. No período de acompanhamento disponível, a interrupção temporária da terapia endócrina, dentro dos critérios do estudo, não apresentou aumento do risco de eventos relacionados ao câncer. Os pesquisadores, entretanto, ressaltam a necessidade de acompanhamento por mais tempo.

Isso não significa que toda mulher que teve câncer de mama possa interromper o tratamento para engravidar. A decisão deve ser individualizada e tomada em conjunto com a equipe de oncologia e obstetrícia, considerando o subtipo e o estágio do tumor, os tratamentos realizados e o risco individual de cada paciente.

A amamentação também depende do tipo de cirurgia e dos tratamentos realizados. Mulheres submetidas à mastectomia, por exemplo, não poderão amamentar pela mama operada, enquanto cirurgias conservadoras associadas à radioterapia podem reduzir a produção de leite. Qualquer alteração ou interrupção de tratamento oncológico deve ser feita somente com orientação médica.

O acompanhamento médico continua durante e após uma eventual gestação. A paciente deve manter o seguimento oncológico e o acompanhamento obstétrico, de acordo com seu histórico e as orientações da equipe responsável.

A principal mensagem é que o diagnóstico de câncer de mama não significa necessariamente o fim do projeto de maternidade. Para algumas mulheres, ter filhos após o tratamento pode ser possível, mas o caminho exige informação, planejamento e acompanhamento especializado.

*Com informações do Hospital e Maternidade Santa Joana, referência em saúde da mulher e do neonato. Reconhecido nacional e internacionalmente, o Hospital e Maternidade Santa Joana possui diversas certificações globais, e foi eleito, por 12 anos consecutivos, a melhor maternidade de São Paulo pelo Datafolha.

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