Lula avalia criar Ministério da Segurança e busca ex-governador para o cargo

Perfil de ex-gestor estadual traria ‘solidariedade’ na interlocução com o Centro-Sul

Por Blog do Octavio Guedes

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O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em dezembro de 2025 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública abre espaço para uma mudança estratégica de perfil na Esplanada. O presidente Lula (PT) tem planos de escolher ex-governadores para a vaga, buscando alguém com “casca grossa” e experiência direta no comando das polícias.

A preferência por um ex-gestor estadual obedece a uma lógica pragmática: credibilidade e facilidade de diálogo.

Quem já sentou na cadeira de governador sabe o que é enfrentar problemas crônicos de segurança pública e ter sob seu comando as Polícias Civil e Militar. Essa vivência gera uma solidariedade natural, facilitando a interlocução até mesmo com governadores de oposição. É mais fácil e produtivo um ex-governador tratar com os atuais mandatários do que alguém que nunca ocupou o cargo e vive apenas da teoria jurídica.

A sucessão reaquece inevitavelmente o debate sobre o desmembramento da pasta e a recriação do Ministério da Segurança Pública — uma ideia que Lula já defendia desde a transição, embora condicionasse a primeiro consertar a Justiça.

Existe um velho dogma em Brasília de que criar esse ministério jogaria o problema da violência no colo do presidente. Dilma Rousseff acreditava nessa tese. No entanto, essa lógica envelheceu mal: o problema já está no colo do presidente.

Com o crime organizado infiltrado na economia formal, no alto escalão e operando como máfias transnacionais, a sociedade não encara mais facções como o PCC ou o Comando Vermelho apenas como problemas locais do Rio ou de São Paulo. A percepção é de um problema nacional.

Nesse cenário, um ministro exclusivo da Segurança Pública funciona como um fusível: em momentos de crise, ele queima antes de atingir o presidente. Ele serve de anteparo. A sociedade passa a ter a quem cobrar diretamente, preservando a figura presidencial. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, compreendeu essa dinâmica ao nomear ministros com perfis específicos para a área, criando uma blindagem política.

Lewandowski deixa o cargo não apenas por questões pessoais, mas também em meio a um processo de desgaste.

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