Iphan promove I Seminário das Baianas de Acarajé em Salvador (BA)

Assessoria de Comunicação Iphan

Prática tradicional perpetuada por séculos entre gerações na Bahia, o Ofício das Baianas de Acarajé será tema do I Seminário Estadual das Baianas de Acarajé organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com a Associação das Baianas do Acarajé (Abam). O evento, que acontece entre os dias 21 e 23 de novembro, em Salvador, reunirá detentores e interessados na preservação e na valorização da manifestação cultural.

O objetivo do seminário é discutir questões consideradas prioritárias para a articulação das baianas de acarajé e para o fortalecimento do processo de salvaguarda do bem, registrado em 2005 como Patrimônio Cultural do Brasil. A programação do evento incluirá debates sobre a preservação da prática, trocas de experiências das baianas do interior da Bahia e de outras localidades do Brasil e conversas sobre temas como intolerância religiosa.

O encontro também articulará a criação de um grupo para discussão e elaboração de ações para a salvaguarda do bem na Bahia para o ano de 2020. “O Seminário das Baianas é um importante momento para discutir e rediscutir as ações de valorização do ofício de baianas, inclusive por conta da constante ampliação dessa base social, que precisa ser cada vez mais inserida na política pública de preservação do patrimônio cultural”, explica o diretor de Patrimônio Imaterial (DPI/Iphan), Hermano Queiroz.

Estima-se que, apenas na cidade de Salvador, existam 4 mil baianas de acarajé. Além das soteropolitanas, o seminário contará ainda com a participação de detentoras de outros estados como Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. “Conhecemos a realidade de Salvador, mas precisamos ouvir as mulheres que vêm de outros lugares, pois o título de Patrimônio Cultural é nacional”, explica a presidente da Abam, Rita Santos.

No sábado, dia 23, a ação se encerrará com a Festa do Dia Nacional das Baianas do Acarajé, comemorado no dia 25 de novembro. A celebração incluirá uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, seguida de cortejo de baianas até a Praça da Cruz Caída, além de apresentações musicais e distribuição de acarajé.

Baianas de Acarajé

Inscrito no Livro dos Saberes em 2005, o Ofício das Baianas de Acarajé é uma prática tradicional de produção e venda, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás. O reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil é nacional e abrange os 27 estados.

Dentre as comidas de baiana destaca-se o acarajé, bolinho de feijão fradinho preparado de maneira artesanal, na qual o feijão é moído em um pilão de pedra (pedra de acarajé), temperado e posteriormente frito no azeite de dendê fervente. Sua receita tem origens no Golfo do Benim, na África Ocidental, tendo sido trazida para o Brasil com a vinda de africanos escravizados dessa região.

A atividade de produção e comércio é predominantemente feminina e encontra-se nos espaços públicos de Salvador, principalmente praças, ruas, feiras da cidade e orla marítima, como também nas festas de largo e outras celebrações que marcam a cultura da cidade. A indumentária das baianas, característica dos ritos do candomblé, constitui também um forte elemento de identificação desse ofício, sendo composta por turbantes, panos e colares de conta que simbolizam a intenção religiosa das baianas.

Serviço:

I Seminário das Baianas de Acarajé
Data:
21 e 22 de novembro de 2019, às 8h30
Local: Rua de São Francisco, 32, Centro – Salvador/BA

Festa do Dia Nacional das Baianas
Data:
23 de novembro de 2019, às 10h
Local: Praça da Sé, Pelourinho – Salvador/BA

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