Hipertensão, colesterol elevado e hábitos de vida podem contribuir para o risco cardiovascular antes dos 40 anos e acompanhamento clínico ajuda a identificar alterações antes de complicações.
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Embora mais frequente com o avanço da idade, doenças cardiovasculares também atingem pessoas jovens. O infarto agudo do miocárdio, por exemplo, levou a 9.106 internações de brasileiros de 15 a 29 anos entre 2015 e 2024, segundo dados do DataSUS.
Os números colocam em evidência um desafio de identificar e controlar fatores de risco cardiovasculares ainda na juventude, antes que problemas como hipertensão, colesterol elevado e alterações da glicemia avancem sem sinais aparentes. “O grande obstáculo entre adultos jovens é que essas condições progridem de forma silenciosa, acumulando danos vasculares sem dar sinais evidentes. Quando a pessoa busca socorro na emergência, o dano pode já ser irreversível”, alerta a médica Fernanda Cavaliere, do grupo Care Plus.
A Associação Americana do Coração reúne oito componentes da saúde cardiovascular no modelo Life’s Essential (essencial para a vida) 8: alimentação, atividade física, exposição à nicotina, sono, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial. Para adultos, a entidade recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de sete a nove horas de sono por noite.
“Estudos mostram que pessoas com maior adesão a esses oito pilares apresentaram até 64% menor risco de doença cardiovascular, 66% menor risco de doença coronariana e 55% menor risco de AVC ao longo de aproximadamente dez anos”, destaca Cavaliere. Os percentuais se referem a uma análise de adultos acompanhados por uma mediana de dez anos e não representam uma estimativa específica para jovens.
Além da adoção de hábitos saudáveis, o acompanhamento ao longo do tempo permite observar a evolução dos indicadores clínicos e rever as orientações quando necessário.
O acompanhamento contínuo é facilitado por plataformas de saúde digital, que conectam rapidamente os pacientes aos especialistas.
“Quando transformamos a orientação pontual em um processo contínuo liderado por uma equipe multidisciplinar – com médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas -, passamos a monitorar a evolução real de indicadores como pressão, peso, sono e glicemia. Isso permite detectar pequenas oscilações nos exames e readequar hábitos antes que o risco se converta em uma complicação clínica grave”, explica a especialista.
A prevenção inclui praticar atividade física regularmente, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar tabaco e cigarros eletrônicos. O acompanhamento profissional ajuda a estabelecer metas compatíveis com a rotina e as necessidades de cada pessoa.
Quando procurar atendimento
Dor ou pressão no peito, falta de ar súbita, suor frio, náusea ou desconforto que se irradia para braços, costas, pescoço ou mandíbula podem ser sinais de infarto. Diante da suspeita, deve-se procurar atendimento na emergência médica imediatamente.
“Não é preciso mudar tudo de uma vez”, explica Fernanda, que recomenda a incorporação do monitoramento e de bons hábitos no dia a dia a partir da adoção de medidas simples, como se pesar pelo menos uma vez por mês para acompanhar a evolução do peso ou programar uma avaliação de check-up com seu médico de confiança.
“A chave está na prevenção e no acompanhamento contínuo e personalizado, com uma equipe multidisciplinar capaz de transformar informação em cuidado, cuidado em hábitos e hábitos em mais saúde e qualidade de vida ao longo da vida”, conclui a médica.














