Desafios psicológicos e comportamentais das mães no pós-pandemia

Por Andréa Ladislau/Psicanalista

Após 2 anos de pandemia, na semana do dia das mães, vamos voltar o olhar para essas mulheres que, vivendo ainda as adaptações de um momento que evidenciou as fragilidades e insegurança de todos, reforçam através das peripécias maternas, novas maneiras de sobreviver aos desafios psicológicos e comportamentais neste pós-pandemia.

Muitas relatam uma espécie de exaustão mental. O fato de ter que ficar em casa (muitas aderiram a modalidade Home Office), fazer as tarefas de casa (muitas tiveram que dispensar suas secretárias do lar), cuidar dos filhos orientando-os quase que em tempo integral nas tarefas escolares disponibilizadas virtualmente pelos colégios e ainda assim, fazer com que eles entendam de forma consciente o momento vivido, manter a calma e cuidar de si, dando conta do todo a sua volta, sem sombra de dúvidas, tem sido um desafio para muitas mulheres que estão se vendo ainda mais atarefadas e cobradas.

Se não bastassem todas essas questões naturais de um processo adaptativo, essas mulheres ainda precisam lidar com seus medos, suas emoções que, consequentemente, fazem com que elas possam se sentir mais frágeis e angustiadas.

O medo do amanhã, a enxurrada de informações diárias que estamos consumindo e o instinto maternal que se aflora em situações conflituosas, são ingredientes suficientes para provocar um mix de sentimentos positivos e negativos que podem alterar o humor, aumentar a ansiedade, ativar um distúrbio depressivo e até mesmo, gerar um desequilíbrio emocional profundo nesta mulher, levando até a um transtorno de pânico.

Porém, é preciso olhar para esse momento com mais esperança e otimismo. O primeiro passo é, de forma consciente, identificar o que mais incomoda. O que acarreta mais desconforto.

Buscar ajuda profissional de um psicólogo ou psicanalista que irá auxiliar nesta busca interna do controle de suas emoções. Quando falamos e externamos nossas angústias e nossos medos, estamos fazendo um trabalho de esvaziamento com a ajuda do próprio inconsciente.

Essa ação é muito benéfica para que o processo de autoconhecimento permita que possamos reconhecer nossos limites e dosar nossa intensidade. É preciso afastar o sentimento de inutilidade e a necessidade de fuga da realidade, já que ações como essas apenas farão com que se entre em um estado emocional de confusão e descontrole psíquico.

Portanto, que sejamos gratos à oportunidade de ressignificar a vida após o inusitado. É preciso criar rotinas tanto para si, quanto para as crianças. Praticar algum tipo de atividade física, mesmo que em casa. Pois, fará com que os hormônios que trazem a sensação de prazer auxiliem na sensação de bem estar, além de melhorar a saúde física e mental.

Cuidar da alimentação, beber bastante água ao longo do dia e conectar-se com pessoas, é fundamental. Além de não se isolar, para não desenvolver uma possível fobia social. Aproveite o advento da tecnologia e todas as opções virtuais de se aproximar das pessoas queridas. Externe seus sentimentos. Diga que ama e tem saudade, se sente vontade de dizer isso.

Abrace seu filho, demonstre mais afeto e empatia. Esses sentimentos alimentam a alma e farão com que seus hormônios se manifestem com prazer e assim, cientificamente falando, irão favorecer o aumento da imunidade, pela estimulação dos neurotransmissores.

Enfim, exerça de forma agradável e saudável sua maternidade. Essa dádiva e esse privilégio são únicos.

Drª Andréa Ladislau / Psicanalista

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