Casos recentes lançam luz sobre a importância da tolerância em plena democracia. Para o jurista e fundador da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Dr. Flávio Pansieri, “Tolerância também é sinônimo de enfrentamento”.

O tema da tolerância, em meio a casos de extrema demonstração de intolerância na democracia brasileira, tem guiado estudos e pesquisas por todo o Brasil. De acordo com material divulgado recentemente pelo Instituto Locomotiva sobre a intolerância política entre os brasileiros, existe uma relação do tema com pensamentos e ideologias extremas. A pesquisa, que entrevistou 1.960 eleitores em 120 cidades brasileiras, mostra que a dose de intolerância chega a ser duas vezes maior entre pessoas que se identificam como “de direita” ou “de esquerda”.
Tal debate sobre tolerância em plena luz da democracia voltou a ser central após o assassinato do tesoureiro do PT, Marcelo Aloizio de Arruda, nesse domingo (10/07) a menos de 80 dias das eleições de 2022. O jurista e fundador da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Dr. Flávio Pansieri, um dos constitucionalistas com mais destaque no Brasil, explica que a tolerância também é sinônimo de enfrentamento argumentativo e lógico a partir de fatos e verdades.
“Neste momento compreendermos a ideia de tolerância dentro do conceito de liberdade, e aqui nós temos que compreender a ideia de tolerância no conceito de liberdade ampla para dentro da liberdade de opinião, de comunicação, liberdade religiosa, liberdade de expressão intelectual, artística, científica, de expressão cultural e ainda de transição e recepção de conhecimentos”, explica o jurista. Flávio, além de jurista com extenso currículo, está finalizando um livro no qual pretende discutir o papel da tolerância e da intolerância na vida em sociedade.
“O cultivo da dúvida e o cultivo da tolerância são elementos que andam conectados. A democracia parte do pressuposto de uma dúvida constante em seus argumentos como um instrumento de forçar-me a perceber o outro como igual. Nesta lógica de ser impossível ter uma verdade plena e absoluta, eu sou obrigado a percorrer um caminho de harmonia na diferença e esta atitude de compreensão do outro igual torna-se uma condição para a própria democracia”, continuou.

*Dr. Pansieri é professor adjunto de Direito Constitucional da PUCPR, pós-doutor pela USP, e fundador da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Também já palestrou em mais de 150 conferências em seis países, além de ser cidadão honorário pela câmara municipal de Curitiba.













