A cátedra do exemplo

O maior ensinamento cristão não está apenas nas palavras, mas na transformação da própria vida, fazendo do exemplo a mais eloquente forma de pregação

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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📷 IA

Quando afirmou que a seara é imensa, mas os ceifeiros são escassos, o mestre inesquecível apenas diagnosticou uma realidade persistente nos quadros da atividade humana. Por toda parte existem cultivadores da fé, que se mostram apaixonados expoentes da crença, mas raros resistem aos embates mais difíceis da estrada evolutiva, quando situados frente a frente com opositores e descrentes.

Outros, primam pela busca da salvação, face às artimanhas do adversário de Deus, mas se conseguem algo corrigir na conduta das ovelhas perdidas, deixam-se guiar pelas próprias torpezas e inquietações nas trilhas das sensações passageiras. Outros, conseguem disciplinar esse ou aquele aprendiz que o vício deseducou, mas não resistem às carícias da tentação quando esta surge nos momentos de fragilidade.

Há os que primam pela palavra bem posta nos altares e nas tribunas, manejando o verbete bem colocado e sensibilizando corações, mas terminado o ofício da crença pura e simples, convertem-se em trovões de maldição e azedume na intimidade doméstica, assustando os próprios parentes. Sim, teremos sobre a Terra, ainda por muito tempo, quem pregue, mas não viva, e quem viva, mas não consiga tangenciar o conhecimento pelo verbo.

Ambos são importantes no despertar das consciências anestesiadas ou torporosas. Os que já conseguiram inserir na própria conduta os ensinos de Jesus mostram-se adiantados no manejo da lição, exortando os demais pela cátedra do exemplo, que é contagiosa. Os que pregam, mesmo que ainda não consigam exercitar as lições divulgadas, estão ensaiando o paulatino abandono dos campos de viciação e insensatez, exortando os ouvintes à ressignificação das posturas adotadas no mundo.

Quem trava contato com a mensagem cristã, nova criatura se faz. Passa a pensar diferente, percebendo a vida na Terra como um grande experimento de natureza evolutiva, onde erro e acerto são resultados naturais de quem experimenta e tenta.

Se cai, ergue-se o quanto antes. Se fere, busca reconciliação com a pessoa a quem feriu. Se atingido, pensa as feridas no óleo da compreensão fraternal e prossegue servindo, sem agasalho ao revide ou à mágoa. Se fala, modula o verbo para ser compreendido de acordo com o entendimento do ouvinte. Adota o silêncio em incontáveis ocasiões, evitando comprometer-se pela verborragia inconsequente. Pouco a pouco, transforma o pensar em ação automática, fazendo-se menos paisagista e mais operador da mudança que deseja no mundo.

Altera o proceder, ajustando-se aos apelos do Senhor, a quem diz servir. Repousa pouco e se afadiga na vinha promissora, sem ansiedade pela colheita em flor. Reverencia o pretérito, dele extraindo lições para as mudanças necessárias. Aguarda o novo dia como quem se sabe na posse de um tesouro de novas oportunidades, mas faz do hoje sua principal plataforma de atuação na estrada comum a todos.

Se perguntado para onde vai, aponta o amanhecer por surgir detrás das montanhas e, colocando a enxada sobre os ombros, avança para novas e fecundas terras, onde a semente da esperança anseia ser cultivada.

E o semeador saiu a semear…

O peregrino.
Itabuna, Bahia 12.07.2026

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