Caso Master: ação contra Wagner abre precedente para operação da PF contra Flávio Bolsonaro, o “irmão” de Vorcaro

FONTE: Revista Fórum

O que já se sabe e os valores envolvidos na relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro superam e muito os dados que embasaram a decisão de André Mendonça para dar aval à ação contra Jaques Wagner

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Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner no Senado e André Mendonça com Jair Bolsonaro – Foto: Agência Senado / Alan Santos/PR

A nona fase da Operação Compliance Zero, desencadeada nesta quinta-feira (18), que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, na conexão baiana do escândalo financeiro do Caso Master, abre precedente para que o próximo “toc toc” dos agentes da Polícia Federal (PF) aconteça na mansão de R$ 5,97 milhões de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Lago Sul, em Brasília. E isso pode acontecer em plena campanha eleitoral.

A decisão do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), cita elementos consistentes para a realização da busca e apreensão nos endereços de Wagner.

Baseado no relatório da Polícia Federal, Mendonça cita que o senador baiano é tido “como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”.

A decisão de Mendonça mostra que havia elementos suficientes para uma busca e apreensão contra o líder do governo Lula no Senado.

No entanto, o que já se tornou conhecido sobre a relação de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é muito mais grave e envolve valores bem mais vultosos do que aqueles que embasam a ação contra Wagner.

Diferentemente de Wagner, Flávio Bolsonaro teve contato direto por diversas vezes com Daniel Vorcaro, mesmo após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Conforme revelou o site The Intercept Brasil, Flávio chamou Vorcaro de “irmão” ao cobrar parte das transferências de dinheiro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), de um total negociado de 24 milhões de dólares.

A mensagem de áudio foi enviada no dia 16 de novembro de 2025, véspera da prisão de Vorcaro pela PF no aeroporto de Guarulhos, quando o banqueiro possivelmente tentava fugir rumo a Malta e, em seguida, Dubai.

Em dezembro, com Vorcaro de tornozeleira eletrônica e em prisão domiciliar, Flávio Bolsonaro visitou o banqueiro na mansão dele em São Paulo. Um dia depois, o senador deixou a cela na Papudinha dizendo que o pai o teria ungido candidato do clã à Presidência.

Além dos contatos diretos e da cobrança, segundo as investigações da Polícia Federal, Vorcaro transferiu efetivamente aproximadamente 10,6 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões pela cotação da época) ao fundo Havengate, nos EUA, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A cifra é mais de 20 vezes o valor do suposto apartamento que Augusto Lima teria dado a Jaques Wagner, por meio de um laranja, como contrapartida por sua atuação parlamentar.

Em nova reportagem sobre o caso, o The Intercept Brasil revelou planilhas de despesas e comprovantes que mostram toda a transferência dos milhões de Vorcaro para o clã Bolsonaro.

Seguindo o rastro desse dinheiro, a PF não teria encontrado, até o momento, indícios de que o montante tenha sido efetivamente usado na produção do filme, nem mesmo o destino desses milhões de dólares — que, avalia-se, podem ter sido usados para financiar uma vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA enquanto arquitetava a conspiração contra o Brasil.

Caso repita o timing entre a revelação do caso e a ação contra Wagner, investigadores da PF devem bater à porta de Flávio Bolsonaro em setembro, em plena campanha eleitoral.

Obviamente, o filho de Bolsonaro já deve estar colecionando mentiras para se colocar como vítima de “perseguição”, como aprendeu em casa. Mas provas existem. E são fartas.

E, pelo visto, o que não falta é independência e vontade da Polícia Federal para derrubar o castelo de cartas marcadas da organização criminosa de Daniel Vorcaro. Doa a quem doer.

Basta saber se André Mendonça dará o aval para a ação contra o filho de seu benfeitor, que o alçou justamente à cadeira na mais alta corte do país.

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