Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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O Dia Mundial de Combate e Prevenção à Hipertensão, celebrado neste domingo, 26 de abril, chama a atenção para a importância do cuidado com uma condição silenciosa e muitas vezes assintomática, que pode mascarar sua gravidade: a hipertensão arterial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença está relacionada a 45% dos óbitos por problemas cardíacos. Além de ser um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, a hipertensão também tem uma relação cada vez mais estreita com o câncer.
Especialistas alertam que pacientes oncológicos apresentam maior risco de desenvolver pressão alta, seja por fatores compartilhados, como sedentarismo, obesidade e tabagismo, ou pelos efeitos dos próprios tratamentos.
Estima-se que aproximadamente 33% dos pacientes possam desenvolver hipertensão durante o tratamento contra o câncer. Em muitos casos, a condição pode ser reversível após o término da terapia, mas exige monitoramento rigoroso ao longo de todo o processo.
Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem impactar diretamente o sistema cardiovascular, elevando a pressão arterial e aumentando o risco de complicações, especialmente em pacientes que já possuem doenças cardíacas ou fatores de risco associados.
“A hipertensão em pacientes oncológicos é uma preocupação crescente, já que alguns tratamentos podem elevar a pressão arterial, especialmente em tumores renais, intestinais e gástricos. Por isso, o acompanhamento cardiovascular deve ser contínuo e individualizado, com controle da pressão arterial por meio de tratamento medicamentoso associado a mudanças comportamentais. É fundamental estimular o paciente à adesão às orientações médicas e a um estilo de vida saudável, fatores que impactam diretamente o prognóstico”, explica a coordenadora de Cardiologia do Hospital da Bahia, Taís Sarmento.
Nesse cenário, a atuação de uma equipe multidisciplinar é fundamental. O acompanhamento conjunto entre oncologistas e cardiologistas permite avaliar riscos e prevenir danos ao coração desde o início do tratamento.
“O tratamento do câncer exige um olhar integrado para além do tumor. É essencial uma abordagem coordenada para prevenir, identificar precocemente e controlar a hipertensão que pode surgir ou se intensificar durante a terapia. Esse acompanhamento conjunto permite ajustar condutas, reduzir riscos cardiovasculares e garantir que o paciente siga o tratamento oncológico com mais segurança e melhores resultados”, destaca a oncologista da clínica AMO, Júlia Andrade.
A hipertensão arterial é considerada o principal fator de risco modificável para complicações cardiovasculares em pacientes com câncer e, também, em pacientes que superaram a doença. Por isso, a prevenção deve começar desde a primeira consulta, levando em conta o histórico clínico e os fatores de risco de cada paciente.
Entre as principais recomendações para proteger o coração antes, durante e após o tratamento oncológico estão: parar de fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, praticar atividades físicas regularmente, além de controlar doenças como diabetes e colesterol elevado.
Apesar de não ter cura, a hipertensão pode ser facilmente diagnosticada e controlada com o uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida. O acompanhamento regular da pressão arterial é essencial para garantir mais qualidade de vida e melhores desfechos no tratamento do câncer.













