Menopausa é possível fator de risco para o glaucoma, aponta estudo

FONTE: Leda Sangiorgio

Queda do estrogênio causa alterações no nervo óptico, circulação do sistema visual e aumenta o risco de alterações na pressão intraocular

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Foto: Divulgação

Segundo estudo publicado no periódico científico Cellular and Molecular Neurobiology, a menopausa pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma, uma das principais causas de cegueira em todo o mundo.

A pesquisa apontou que mulheres na menopausa apresentam alterações na microcirculação ocular e maior vulnerabilidade do nervo óptico. Além disso, possuem maior probabilidade de elevação da pressão intraocular, principal fator de risco para o glaucoma.

Adicionalmente, a idade — que coincide com a fase da menopausa — já é, por si só, um fator de risco para o desenvolvimento da doença, uma vez que, após os 40 anos, a probabilidade de desenvolvê-la aumenta progressivamente.

Para a oftalmologista Drª Maria Beatriz Guerios, especialista em glaucoma, é importante entender que a saúde da mulher é influenciada pelos hormônios sexuais, especialmente o estrogênio.

“Esse hormônio desempenha inúmeras funções no organismo, inclusive no sistema visual. O estrogênio protege estruturas importantes dos olhos, como o nervo óptico, além de atuar nos processos envolvidos na drenagem do humor aquoso — fundamental para manter a pressão intraocular em níveis adequados”, explica a médica.

Com o envelhecimento da população, o número de mulheres na menopausa deve aumentar nos próximos anos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 17 milhões de mulheres estão no climatério (fase de transição entre 40 e 65 anos), e aproximadamente 9,2 milhões encontram-se na menopausa ou pós-menopausa (geralmente entre 50 e 65 anos).

Diante desse cenário, menopausa e glaucoma são condições que merecem, cada vez mais, atenção tanto das pacientes quanto dos profissionais de saúde.

O estudo reforça a influência do gênero no risco de glaucoma, já que 59% dos pacientes são mulheres. Além da maior prevalência, elas apresentam taxas mais elevadas de perda de campo visual e menor probabilidade de buscar tratamento em comparação aos homens, segundo os dados da pesquisa.

“O estudo reforça que a menopausa não afeta apenas o sistema reprodutivo. A redução do estrogênio também impacta outros órgãos e sistemas. Portanto, sua deficiência pode prejudicar o organismo como um todo, incluindo o sistema visual. Dessa forma, recomenda-se que mulheres no climatério e na menopausa incluam o check-up oftalmológico entre os exames preventivos anuais”, alerta a Drª Maria Beatriz.

“Vale destacar que, na maioria dos casos, o glaucoma não apresenta sinais ou sintomas nos estágios iniciais. Assim, o diagnóstico costuma ocorrer quando o paciente já percebe alterações visuais e, nessa fase, as perdas são irreversíveis”, acrescenta a oftalmologista.

O glaucoma causa perda irreversível da visão. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir a progressão da doença. Ou seja, é possível estabilizar os danos visuais.

“O tratamento envolve o uso de colírios e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos para controle da pressão intraocular. Atualmente, também podem ser usados suplementos com ação neuroprotetora, já que o glaucoma é reconhecido como uma doença neurodegenerativa”, finaliza a especialista.

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