Eduardo ignora apelo de Flávio Bolsonaro por “pacificação” e lança novo ataque a Nikolas; influenciadores racham

Menos de 24 horas após Flávio se dizer “angustiado” em razão da briga, Eduardo Bolsonaro usou influenciador para acusar Nikolas Ferreira de “treinar o algoritmo para dar visibilidade a todos que odeiam o bolsonarismo”.

Por Plínio Teodoro/Revista Fórum

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Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro – Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Menos de 24 horas após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar um vídeo dizendo estar “angustiado” com a briga entre o irmão e Nikolas Ferreira (PL-MG), fazendo um apelo por “pacificação” na base de sua pré-campanha, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) dobrou a aposta e lançou um novo ataque contra o deputado mineiro. O racha se estendeu a influenciadores da ultradireita nas redes sociais.

Em publicação às 21h27 deste domingo (5), Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo em que o influenciador Kim Paim acusa Nikolas de “treinar o algoritmo para dar visibilidade a todos que odeiam o bolsonarismo”.

“Quem acha que Eduardo está procurando picuinhas por bobagem, não entende como funciona as redes sociais. Como assim, Mário? Há um bom tempo que Nikolas está treinando o algoritmo para dar visibilidade a todos que odeiam o bolsonarismo. Óbvio, ele não faz de forma aberta. Ele pega uma postagem contra o PT, ou que não tenha crítica aberta ao bolsonarismo e comenta e curte. Isso te parece inofensivo, não é mesmo? Mas, deixa eu te explicar uma coisa”, afirma.

Segundo Paim, um dos influenciadores preferidos do clã Bolsonaro, “quando Nikolas faz isso, ele pega o seu imenso engajamento, empresta a essa pessoa que está pregando voto nulo ou difamando a família Bolsonaro em outras postagens, é tão eficiente quanto fazer patrocínio pago”.

“Na prática, o Nikolas está treinando o algoritmo para dar revelância aos adversários do Bolsonaro”, emenda, acusando outros perfis, como o Space Liberdade – alvo de ataques de Eduardo – de integrarem o ecossistema do extremista mineiro nas redes.

“Por isso odeiam tanto o Kim Paim. Vale a pena assistir tudo para entender o que está ocorrendo”, escreveu Eduardo Bolsonaro ao compartilhar o vídeo.

O racha, então, se estendeu aos influenciadores da ultradireita, que se dividem entre os exércitos virtuais de Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira.

“Se Eduardo posta um vídeo do Kim Paim atacando Nikolas no dia seguinte em que seu irmão mais velho gravou um vídeo pedindo paz e fim de picuinhas, isso quer dizer que ele não respeita a autoridade do candidato escolhido pelo pai. Triste isso”, escreveu Rodrigo Constantino.

Bajulador contumaz de Eduardo, o deputado Mario Frias (PL-SP) compartilhou a tese do influenciador e foi ironizado pelo vereador Guilherme Kilter (Novo-PR), que se alinha a Nikolas.

“Agora entendi os crimes do Nikolas: 1. Dar risada 2. Treinar o algoritmo – seja lá o que isso signifique. Com certeza justifica virar todos os canhões para ele ao invés do escândalo do INSS, Banco Master, roubos do Lula”, ironizou.

Fiel escudeiro de Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo partiu para cima de Kilter, confidenciando a existência do Gabinete do Ódio, de Carlos Bolsonaro (PL-RJ), e a tentativa de reedição pelo deputado mineiro.

“Quer dizer, deixa eu corrigir, o Nikolas e muitos dos que agora estão em sua defesa acusam sim pessoas de um novo “gabinete do ódio” fazendo “ataques” a ele, algo que já mandou muita gente pra a prisão. Mas, fora isso, só ouço críticas e reclamações”, disparou.

Sobre a menção do Caso Master, coube a Allan dos Santos, outro aliado do filho “02” de Jair Bolsonaro, responder aos aliados de Nikolas, divulgando a lista de contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, que emprestou um jatinho para o deputado mineiro fazer campanha para o ex-presidente em 2022.

“Nenhum dos filhos de Jair Messias Bolsonaro”, escreveu o bloqueiro, com a lista que inclui Nikolas entre nomes como Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), Hugo Motta (Republicanos-PB), Arthur Lira (PP-AL), entre outros aliados do clã Bolsonaro.

Em meio à escalada de conflitos públicos dentro do bolsonarismo, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo na madrugada deste domingo (5) tentando conter a crise aberta entre seu irmão e Nikolas Ferreira. Preocupado, o senador classificou a situação como “muito angustiante” e fez um apelo pela reunificação do grupo.

“É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um país para resgatar”, afirmou Flávio. Ele também alertou que “esse é o tipo de confusão que não tem vencedor, todo mundo sai perdendo”, numa tentativa evidente de reduzir os danos políticos provocados pelo embate.

A intervenção ocorre em um momento sensível: Flávio busca viabilizar sua candidatura presidencial e enfrenta dificuldades crescentes diante da fragmentação interna do próprio campo político que o sustenta.

O apelo de Flávio veio após uma troca de ataques públicos entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira nas redes sociais. O conflito teve início quando Eduardo criticou Nikolas por compartilhar conteúdo de um perfil que, segundo ele, não apoiaria a candidatura de Flávio.

A reação de Nikolas, que escreveu um debochado “kkk”, irritou o filho do ex-presidente, que respondeu com uma série de acusações. Eduardo afirmou que o deputado mineiro estaria agindo por “ego” e tentando silenciar a candidatura do irmão.

“Os holofotes e a fama te fizeram mal”, escreveu Eduardo, em tom duro. Ele também acusou Nikolas de impulsionar perfis que atacariam sua família e de atuar contra Flávio nos bastidores.

Em outro trecho, Eduardo afirmou que Nikolas estaria colocando o senador “numa espiral de silêncio”, com poucos apoios públicos, e criticou o que chamou de falta de lealdade política. Ao final, classificou o ex-aliado como uma figura “triste”.

Crise interna já vinha se intensificando

O episódio entre Eduardo e Nikolas não é isolado, mas parte de um racha mais amplo que vem se aprofundando desde o fim de 2025. No centro da crise está justamente a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A divisão atinge o próprio núcleo familiar. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, tem resistido a apoiar publicamente a candidatura do enteado, o que gerou críticas diretas de Eduardo e indiretas de Carlos Bolsonaro.

Michelle reagiu às pressões afirmando ter autonomia política e recusando-se a seguir alinhamentos impostos. O embate evoluiu para trocas públicas de acusações e críticas sobre estratégias eleitorais.

As divergências também envolvem decisões políticas. Michelle criticou articulações lideradas por Flávio, incluindo tentativas de alianças controversas, classificadas por ela como parte de um “jogo sujo”. A postura independente da ex-primeira-dama é vista por aliados dos filhos de Bolsonaro como um fator que fragiliza ainda mais a unidade do grupo.

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