Câncer colorretal avança entre adultos mais jovens e acende alerta de especialistas

FONTE: OS2 Comunicação

Estilo de vida atual é um dos fatores que contribui para o cenário

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Tradicionalmente associado a pessoas acima dos 50 anos, o câncer colorretal tem apresentado um novo e preocupante comportamento: o aumento de casos entre adultos mais jovens. O fenômeno vem sendo observado em diversos países e também no Brasil, levando especialistas a reforçar a importância da atenção aos sintomas e da prevenção.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, estima-se 26,3 mil novos casos anuais entre homens e 27,5 mil entre mulheres. Atualmente, esse tipo de tumor já está entre os três cânceres mais frequentes no país, considerando ambos os sexos.

Segundo o oncologista Frederico Rocha, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), embora a maioria dos diagnósticos ainda ocorra após os 50 anos, o crescimento da incidência entre pessoas mais jovens é real e tem chamado a atenção da comunidade médica. “Historicamente, o câncer colorretal sempre foi mais associado ao envelhecimento, mas temos observado um aumento progressivo entre adultos mais jovens. Isso tem sido descrito em estudos e também na prática clínica”, afirma o especialista.

Ainda não existe uma causa única para explicar esse crescimento entre pessoas abaixo dos 50 anos, mas diversos fatores relacionados ao estilo de vida moderno parecem contribuir para o cenário.

Entre eles estão o aumento da obesidade, o sedentarismo, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e carnes processadas, além do baixo consumo de fibras. Há ainda influência do álcool, do tabagismo e possíveis alterações da microbiota intestinal.

“Provavelmente estamos diante de um conjunto de fatores ambientais e metabólicos que se acumulam ao longo do tempo”, explica o oncologista. Dessa forma, mudanças no padrão alimentar e no estilo de vida das últimas décadas parecem ter um papel importante nesse processo.

Outro ponto de preocupação é que, em jovens, os sintomas iniciais do câncer colorretal muitas vezes são atribuídos a problemas benignos, o que pode atrasar o diagnóstico.

Entre os sinais que merecem atenção estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal recorrente, anemia sem causa aparente, perda de peso inexplicada e sensação de evacuação incompleta.

O médico alerta que, independentemente da idade, sintomas persistentes precisam ser investigados. Muitas vezes o paciente jovem acredita que não pode ser algo mais sério e acaba adiando a procura por avaliação médica.

Embora a maioria dos casos esteja relacionada a fatores ambientais, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer colorretal têm origem hereditária, associados a síndromes como a Síndrome de Lynch ou a Polipose Adenomatosa Familiar.

Mesmo fora dessas condições, ter um parente de primeiro grau com câncer colorretal já aumenta o risco da doença. “A investigação do histórico familiar é fundamental, especialmente quando há diagnóstico antes dos 50 anos ou múltiplos casos entre parentes próximos. Nessas situações, pode ser necessário iniciar o rastreamento mais cedo”, explica o médico.

A colonoscopia segue sendo o principal exame para rastreamento da doença, pois permite identificar e remover pólipos, que são lesões que podem evoluir para câncer. Atualmente, muitas diretrizes recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas de risco médio. Já para quem possui histórico familiar, a investigação costuma começar aos 40 anos ou até antes, dependendo do caso.

“Quando o câncer colorretal é diagnosticado em estágios iniciais, antes de se espalhar para outros órgãos, as chances de cura podem ultrapassar 90%. Por isso, o rastreamento e a atenção aos sintomas são fundamentais”, destaca Frederico.

Quando identificado precocemente, o câncer colorretal costuma ter a cirurgia como principal abordagem terapêutica. Dependendo do estágio da doença, o tratamento pode incluir também quimioterapia, radioterapia — especialmente em tumores do reto —, terapias-alvo e imunoterapia.

“Hoje conseguimos personalizar muito mais o tratamento, considerando não apenas o estágio da doença, mas também o perfil biológico do tumor”, conclui o oncologista.

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