Apesar de crescimento de 33% nos rendimentos femininos e avanço expressivo nos cadastros, Relatório “Mulheres na Música 2026” do Ecad mostra que a desigualdade continua
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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O número de mulheres cadastradas na gestão coletiva da música no Brasil cresceu quase cinco vezes em um ano e os rendimentos femininos em direitos autorais de execução pública musical aumentaram em 33% em 2025 em comparação ao ano anterior. Mesmo assim, elas representaram apenas cerca de 10% dos beneficiados com os direitos autorais distribuídos a pessoas físicas no país e somente 2% dos 100 autores com maior rendimento no ano passado. Esses são alguns dos dados da sexta edição do Relatório “Mulheres na Música”, produzido pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e lançado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, neste dia 8 de março.
De acordo com o Ecad, mais de 54 mil mulheres foram cadastradas no banco de dados da gestão coletiva em 2025, o que equivale a aproximadamente 20% de todos os novos cadastros realizados no ano. Em 2024, esse número foi superior a 12 mil mulheres e, com isso, é possível identificar um crescimento de quase cinco vezes em apenas 12 meses. Esses números também mostraram uma presença feminina maior na indústria musical com mais autoras, intérpretes, musicistas e produtoras em busca de reconhecimento por suas criações e interpretações nos palcos.
No ano passado, o Ecad distribuiu mais de R$ 1 bilhão em direitos autorais a pessoas físicas e, desse total, apenas cerca de R$ 100 milhões foram destinados às mulheres. Em comparação ao ano anterior, o relatório aponta um avanço de 33%. Ao todo, mais de 33 mil mulheres receberam rendimentos em direitos autorais em 2025, enquanto em 2020, primeiro ano do lançamento do relatório, esse número foi de 22 mil.
O Relatório “Mulheres na Música” do Ecad revelou ainda outros dados da desigualdade de gênero, que permanece evidente no mercado musical. Entre os 100 autores com maior rendimento em 2025, apenas 2% são mulheres. Esse é um número que apresentou queda no ano passado, já que elas atingiram 5% em 2024 e 6% em 2023.
Já entre as 100 canções mais executadas em shows em 2025, apenas 11 delas têm participação feminina na autoria. Isso significa que cerca de 10% dessas músicas mais tocadas contam com mulheres na autoria. Além disso, nas primeiras 20 músicas desse ranking, o relatório aponta apenas uma música com autoria feminina.
“Apesar dos pequenos sinais de avanço na indústria musical, podemos ver nitidamente que os números revelam que as desigualdades persistem e se estendem desde os valores distribuídos em direitos autorais até a ausência de mulheres nas composições das músicas mais tocadas no Brasil. Elas continuam sem representatividade e está mais do que na hora de promover transformação nessas estruturas tão enraizadas da nossa sociedade. Por isso, lançamos este relatório e um manifesto em prol das mulheres da música. Queremos destacar a urgência de iniciativas concretas que incentivem a equidade de gênero e reforçar que precisamos trabalhar juntos por um ambiente cultural mais inclusivo e diversificado e que possa refletir verdadeiramente a força das mulheres”, disse Isabel Amorim, superintendente executiva do Ecad.
Confira aqui o relatório completo com mais informações e o ranking das 100 músicas mais tocadas no segmento de Shows em 2025 com a participação de mulheres na autoria:
https://www4.ecad.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Report-Mulheres-na-Musica-2026.pdf












