Escolas apostam em educação digital para além da restrição ao celular

FONTE: Nadja Cortes

Na volta às aulas, especialistas defendem que limites só produzem efeitos quando acompanhados de mediação pedagógica e formação crítica para o uso da tecnologia

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Foto: LP/Stock Adobe

A retomada das aulas após o Carnaval recoloca em pauta um debate que marcou o último ano letivo: qual é o papel da escola diante da hiperconectividade infantil e adolescente? Após o primeiro ano de vigência da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em sala de aula, educadores avaliam que os efeitos mais consistentes não decorrem apenas da proibição, e sim da incorporação de práticas estruturadas de educação midiática.

Para especialistas, a restrição só se consolida quando integrada a um projeto pedagógico que estimule atenção, engajamento e convivência presencial, três dimensões que, segundo relatos, apresentaram melhora ao longo do último ano. Neste início do novo ciclo escolar, o desafio é transformar o limite em cultura institucional e formação crítica para o uso da tecnologia.

Paulo Henrique Lopes de Aquino, diretor corporativo de Educação da Rede Santa Catarina, afirma que a restrição ao celular, por si só, não deve ser entendida como solução isolada. Para ele, medidas exclusivamente proibitivas tendem a ser pouco eficazes quando não conectadas a um projeto pedagógico.

Nesse sentido, a restrição funciona como um ponto de partida para um processo que envolve mediação docente, educação midiática e diálogo com as famílias. O gestor destaca que antes mesmo da lei, a instituição, que conta com seis escolas distribuídas em cinco estados no Brasil, já desenvolvia políticas voltadas à formação digital dos estudantes.

“Nosso objetivo nunca foi formar alunos que apenas obedecem regras, mas jovens capazes de fazer escolhas conscientes. A lei ajudou a fortalecer esse caminho, mas a emancipação digital acontece no cotidiano, na sala de aula e nas relações pedagógicas, ao preservar o ambiente escolar como espaço de foco, convivência e aprendizagem profunda”, completa.

Para esclarecer esses pontos, o diálogo com as famílias se intensificou no último ano. Encontros voltados à educação midiática, saúde mental e aos riscos da exposição excessiva às telas ajudaram a reforçar que, mais que uma regra, a restrição é parte de uma política de proteção à infância e à adolescência, respaldada por evidências científicas.

“Limites geram liberdade. Ao limitarmos o acesso digital, libertamos o estudante para explorar o mundo real. A escola precisa ser um porto seguro frente à hiperestimulação digital, um espaço de resistência humanista, onde a tecnologia esteja a serviço da pedagogia, e o estudante possa estar plenamente presente”, pontua Aquino.

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