Semiárido nordestino atrai bilhões em investimentos com institutos e empresas da Bahia

FONTE: Bahia Econômica

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

📲 Siga o canal do BEC no WhatsApp

📷 Reprodução

O semiárido nordestino tem se consolidado como uma das principais fronteiras da economia verde no Brasil, impulsionado por investimentos bilionários em energias renováveis, biocombustíveis e fibras naturais. Projetos liderados por empresas como Shell Brasil, Acelen Renováveis e Casa dos Ventos, aliados a iniciativas de pesquisa e inovação, estão transformando a região em um polo estratégico para a transição energética e o desenvolvimento sustentável.

Entre os destaques está o programa Brazilian Agave Development (BRAVE), desenvolvido pela Shell Brasil em parceria com a Unicamp e o Senai Cimatec, centro de tecnologia e ensino da Fieb. A iniciativa pesquisa o potencial do agave, planta resistente ao clima semiárido, para a produção de etanol de segunda geração (E2G) e biogás em escala comercial.

Ainda na Bahia, a Acelen Renováveis também investe na implantação de um polo de combustíveis sustentáveis. O projeto prevê aportes superiores a US$ 3 bilhões para o cultivo de macaúba, matéria-prima destinada à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO), além da recuperação de cerca de 180 mil hectares de áreas degradadas.

Já a Casa dos Ventos amplia sua atuação com projetos híbridos de geração eólica e solar no semiárido e desenvolve iniciativas voltadas à produção de hidrogênio e amônia verdes, com foco no abastecimento industrial e na exportação de energia limpa.

Os investimentos acompanham o lançamento do Movimento Fibras Naturais Brasileiras, criado em 2026 pela Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e Pecuária (CSFN/MAPA). A iniciativa reúne representantes das cadeias produtivas do sisal, bambu, coco, cânhamo, juta, malva, piaçava e seda para ampliar a competitividade do setor e aproveitar oportunidades ligadas ao mercado de carbono e aos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

Segundo o presidente da CSFN/MAPA, Wilson Andrade, o objetivo é modernizar a produção e ampliar a participação das fibras naturais em um mercado global que deve crescer nos próximos anos.

O Brasil também está investindo na modernização da cadeia produtiva do sisal, responsável pela geração de renda para cerca de 800 mil pessoas no semiárido. Entre as iniciativas estão a implantação de uma usina-piloto de desfibramento automatizado em Conceição do Coité, o uso de drones, sensores e inteligência artificial para monitoramento das lavouras e pesquisas para desenvolvimento de fitoterápicos, bio-óleo e materiais compósitos destinados à indústria.

A modernização da cadeia já reflete nos indicadores do setor. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a produção nacional de sisal cresceu 21,5% entre 2024 e 2025, passando de 93 mil para 113 mil toneladas.

Além dos ganhos econômicos, especialistas destacam que culturas como o sisal, o agave e a macaúba contribuem para a captura de carbono, recuperação de áreas degradadas e geração de renda em regiões historicamente marcadas pela escassez hídrica, consolidando o semiárido como protagonista da economia de baixo carbono.

Veja também