Alergia à Proteína do Leite de Vaca é a mais comum entre crianças de até 5 anos de idade

APLV causa reações graves, sofrimento para criança e família e risco nutricional se não for tratada rapidamente.

Por Valéria Vargas

Foto: Blog Alergo Imuno

Seu bebê está com diarreia, vômito, dores de barrica, urticária e não quer comer? Ele pode ter APLV, Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Segundo o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar de 2018, a Alergia à Proteína do Leite de Vaca, APLV, é uma das mais comuns no primeiro ano de vida. A alergia alimentar aumentou 10 vezes em 11 anos, considerada mais persistente e intensa. Uma em cada 18 crianças apresenta alergia alimentar, porém apenas 50% são diagnosticados.

Este ano, para alertar para essa situação foi realizada a primeira Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar. A data soma-se à Semana Mundial que vai acontecer de 18 a 24 de junho. Durante esses 40 dias a Danone junto à Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), promovem uma iniciativa de conscientização sobre a APLV.

A empresa, pioneira nos estudos sobre a Alergia à Proteína do Leite de Vaca, divulga diversos conteúdos educativos para pais e de atualização científica para profissionais da saúde. Além disso, foi criada uma landing page com a ideia de oferecer um ambiente específico com conteúdo gratuito para download, onde é possível encontrar mais de informações sobre a APLV, depoimentos e um e-book gratuito para pais com o tema “O que você precisa saber sobre APLV e Alergias Alimentares”.

Embora cause confusão em muita gente, por conta de alguns sintomas comuns, como diarreia, vômitos e dores abdominais, a APLV é diferente da Intolerância à Lactose. A Alergia à Proteína do Leite de Vaca é uma reação do sistema imunológico frente à fração proteica do alimento, neste caso, o leite de vaca. Mais comum do zero aos cinco anos de idade, a APLV causa reações reprodutíveis, independentemente da quantidade de leite ingerida e pode levar a reações graves, como a anafilaxia. Já a Intolerância à lactose (IL), atinge em maior número os adultos e é reflexo da má digestão da lactose, o açúcar do leite. A intensidade dos sintomas também é diferente e está associada à quantidade consumida.

“O diagnóstico da APLV pode ser feito através de uma combinação do histórico clínico detalhado, exame físico e testes específicos. O papel dos pais e cuidadores é fundamental no processo de detecção provendo o detalhamento dos sintomas. A parceria entre a ciência, médicos e familiares contribui tanto para o diagnóstico como para a terapêutica dos pacientes. Fóruns criados no sentido de ampliar o debate e contribuir para um avanço de pesquisas e lançamento de produtos que ofereçam saudabilidade e qualidade de vida são recursos atualmente disponíveis”, explica a pediatra Ana Grubba, diretora médica da Danone.

Muitos pais chegam a enfrentar uma jornada de mais de três meses e mais de três médicos até conseguirem o diagnóstico correto de APLV. A falta da informação adequada de como agir diante das reações da criança causa enorme sofrimento à família e pode levar a problemas mais graves de curto e longo prazo, como baixo peso, falha do crescimento, risco nutricional, risco de fraturas por conta da redução dos níveis de cálcio no organismo e comprometimento da qualidade de vida.

A história de Maira Figueiredo com a APLV começou quando sua filha, Helena, recebeu o diagnóstico de alérgica. Na época, a mãe nunca havia ouvido falar sobre a Alergia à Proteína do Leite de Vaca e, como muita gente, entrou em negação. Para ela, era difícil entender que, a partir daquele momento, precisaria existir um grande cuidado em relação a tudo que sua filha iria comer. No entanto, com o passar do tempo, seus estudos e suas vivências foram libertando a família. Foi assim que, em 2017, Maira fundou o aplicativo “NuRÓTULO”, que oferece recomendações alimentares personalizadas de acordo com as restrições de cada um de seus usuários.

“Do fundo do meu coração, eu só espero que as pessoas não passem por tudo que eu passei. Esse é o meu maior objetivo. Por isso que a gente trabalha tanto com a apuração das informações para que elas cheguem no maior número de pessoas possível. Não só das famílias, mas também de quem cuida das crianças. As escolas, os avós, os amigos… todos. Quando a sociedade estiver educada, diminuirá muito o risco de contaminação”.

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