Prefeituras alertam para a falta de medicamentos básicos nas farmácias populares

FONTE: Por Jornal Nacional

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios afirma que 80,4% das prefeituras do país responderam que estão sem remédios e insumos básicos para atender à população que depende de medicamentos fornecidos pelo governo.

Quase 2 mil prefeituras alertaram para a falta de medicamentos básicos nas farmácias populares e de insumos para tratamentos complexos.

Um raio-x feito pela Confederação Nacional dos Municípios confirma essa escassez em todo o país: 80,4% das prefeituras responderam que estão sem remédios e insumos básicos para atender à população mais desprotegida, que depende de medicamentos fornecidos pelo governo.

O levantamento foi feito entre 25 de maio e 20 de junho, em mais de 2.460 municípios. Nas farmácias públicas e populares estão faltando pelo menos 60 medicamentos, tanto de assistência básica, quanto da especializada.

Na lista da escassez, estão remédios importantes para controle de diabetes, pressão alta e também antibióticos. Faltam ainda medicamentos mais complexos, como por exemplo quetiapina, desonida, usados no tratamento de leucemia.

A maioria dos municípios consultados não tem condições de regularizar a situação em menos de 90 dias.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios diz que o Ministério da Saúde já vem sendo alertado sobre o problema há muito tempo: “A gente sabe que está com dificuldade até internacional, mas não adianta querer botar desculpa lá só na parte internacional. Deveria haver planejamento. Deveria o governo que controla essa política nacional, desde a importação de insumos, agora querer culpar a China e a Índia, não sei quem. Faltou esse controle de estoque. Por isso que sempre vem faltando. Lógico que agora foi aguçado pela conjuntura internacional. Então temos que tomar providências imediatas. E nós, na ponta, estamos sem saber o que fazer”, afirma Paulo Ziulkoski, presidente da CNM.

O diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes, Laerte Macedo, explica as consequências da interrupção nos tratamentos: “A pessoa que usa insulina, por exemplo. Se ela deixa de tomar a insulina, ela tem um risco imediato até de morte. De hospitalização, de morte e etc. Outras situações são parecidas. O controle da pressão, por exemplo. Se falta um medicamento, essa pressão vai subir. Ela pode ter manifestações pulmonares, manifestações cerebrais, etc. E isso vai se complicar com outras situações. Muitas vezes até incapacitantes, ou mesmo levando à morte. De qualquer forma, qualquer medicamento de uso essencial que falte é um risco para a saúde da pessoa imediato, em médio e em longo prazos”.

O Ministério da Saúde afirmou que trabalha para manter a rede de saúde abastecida, que diversas causas globais influenciaram a falta de remédios, que liberou o reajuste de preços dos medicamentos em falta e adotou medidas para reduzir impostos de importação de insumos.

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