
O Botafogo, clube fundado em Salvador e já tendo conquistado títulos de campeão baiano, veio para Senhor do Bonfim com a promessa dos dirigentes de se tornar um time da cidade. Trazido por Peron Farias, o fato se tornou uma grande novidade para o esporte da cidade que viu aí uma grande oportunidade de Bonfim, finalmente, ter um time chamado de seu na primeira divisão do futebol baiano.
De grandes expectativas com a grande campanha realizada pelo time no ano passado, que mesmo em meio à pandemia da Covid-19 e jogando no Estádio Pedro Amorim sem a presença do torcedor, chegou à final do Campeonato Baiano da Série B, a novidade e os sonhos se transformaram em grande frustração com denúncias graves de supostas ameaças por parte dos novos dirigentes ao time adversário deste domingo (10), o Flamengo de Guanambi.
O caso merece uma apuração rigorosa por parte das autoridades policiais. Porém, não é novidade em Senhor do Bonfim, alguém do poder se “interessar” pelo esporte. A cidade tá cheia de gente que acha que tem poder e vê no esporte um caminho para se promover. Imaginem aí, um time sendo comandado por esses interesseiros conquistando o aceso para a elite do futebol da Bahia? Seria a cereja no bolo para suas pretensões futuras.
Sentiram fragilidade no ex-presidente e aproveitaram muito bem o caso da agressão dele a um árbitro para se apossarem do time com toda arrogância de quem tem dinheiro e vislumbraram um paraíso pela frente. Mas, ao que tudo indica, o tiro saiu pela culatra. O time não conseguiu se classificar para a segunda fase da Série B do Baianão, e o que sobrou foram problemas e mais problemas.
Agora ficam a frustração e um futuro incerto, pois, se o caso for apurado e o time punido, será difícil começar tudo de novo.
Esta história nos mostra que os verdadeiros desportistas de Bonfim, aqueles que carregam o esporte nas costas, não têm o amparo do poder público. Quantos abnegados se desgastam no dia a dia para manter uma escolinha de futebol? Quantos guerreiros do esporte não vivem de doações e do pouco que recebem de pais que, às vezes, não têm dinheiro nem pra pagar a mensalidade da escolinha do seu filho?
Tá na hora de repensar o futebol amador de Senhor do Bonfim. O fortalecimento de desportistas natos, verdadeiramente comprometidos com o nosso futebol, poderia nos dar alegrias de verdade. Levar apoio a esses sofredores nos livraria desses oportunistas que querem o esporte apenas para atender seus objetivos, que não são os mesmos de quem ama o futebol de verdade.













