Senado instala comissão de juristas para atualizar lei do impeachment

O colegiado foi criado pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, e tem prazo de 180 dias para apresentar proposta.

Da Rádio Senado, Roberto Fragoso

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Lei do Impeachment usada até hoje foi promulgada em 1946 e não foi completamente incorporada pela Constituição de 1988. Esse é um dos principais motivos pelo qual, a cada processo, é preciso primeiro se criar um procedimento, usando várias normas diferentes, o que dificulta o julgamento e provoca questionamentos judiciais.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que presidiu o julgamento da ex-presidente Dilma Rousseff, lembrou que naquele caso, foi preciso integrar princípios dos Regimentos do Senado, da Câmara e do Congresso Nacional, do Código Penal, de julgamentos anteriores do STF e de regras do tribunal do Júri. Além do rito, o ministro considera essencial definir que crimes cometidos por agentes públicos podem motivar a perda do mandato.

A lei do impeachment tem contribuído mais para gerar crises e instabilidades políticas do que superar impasses constitucionais. É preciso ainda aperfeiçoar a definição dos tipos correspondentes aos crimes de responsabilidade. Se afigura imperioso sejam eles compatibilizados, dentre outros, com os postulados do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da razoável duração do processo.

Ricardo Lewandowski vai presidir a comissão de juristas de atualização da Lei do Impeachment. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, destacou a experiência do magistrado nessa área.

O ministro Lewandowski é sem dúvida alguma um dos maiores juristas do País e de fato e verdadeiramente, nessa matéria de impeachment, enfrentou num caso concreto a presidência de um processo de impeachment, o que o credencia em ter identificado ali naquele processo uma série de situações que poderiam ser melhor enfrentadas se tivéssemos uma lei mais moderna, sem pender para um lado e nem para o outro. A própria ideia da modernização nasceu em uma conversa no ano passado com o ministro Lewandovski, fazendo uma série de reflexões sobre o direito no Brasil, o que precisava ser modificado.

A comissão terá 11 integrantes, entre eles, o ex-senador Antonio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, que foi relator do impeachment da ex-presidente. O grupo terá seis meses para apresentar sua proposta.

Veja também

Conhecido pelo nome

Aos olhos de Deus, você nunca é esquecido — você é cuidado e tem propósito Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC