Por Minha Cidade – Senhor do Bonfim
O sergipano Antônio dos Santos, conhecido por todo o sertão como Volta Seca, entrou para o cangaço com apenas 11 anos. O menino cangaceiro cuidava dos cavalos, lavava a louça e as roupas sujas e ficava na tocaia espionado para ver se havia policiais. No bando, era um dos mais violentos, participando dos embates em Mirandela (BA), Capela (SE) e da fatídica chacina de sete soldados da Força Pública, em Queimadas (BA), crime que ganhou grande repercussão nacional.
Após uma briga com Lampião, Volta Seca fugiu para região de Santo Antônio da Glória (BA), sendo capturado pelos Irmãos Roxo, a mando do Tenente José Joaquim, em julho de 1931. Preso com apenas 13 anos de idade, permaneceu inicialmente em Salvador, sendo enviado para Senhor do Bonfim.
Em abril de 1934, a equipe do jornal Diário de Notícias entrevistou o jovem cangaceiro na cadeia de Bonfim e no mesmo ano foi julgado sem direito à defesa, embora tenha aparecido uma defensora pública para isso, mas que foi impedida pelo juiz João Baldoino de Oliveira Andrade. Sentenciado a 145 anos de regime fechado por seus crimes, permaneceu em Bonfim até 1936, quando foi transferido para Salvador.
Solto em abril de 1952, foi trabalhar no Instituto Médico Legal – IML, dirigido por Estácio de Lima. Pouco depois, colaborou na produção do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto. Em 1957 lançou o LP “As cantigas de Lampião”, com músicas famosas do mundo cangaceiro, muitas delas criadas por ele, como “Mulher Rendeira” e “Acorda Maria Bonita”. Volta Seca trabalhou na Rede Ferroviária Federal como guarda-trilhos, casou-se com Isaura dos Santos e foi morar em Estrela Dalva (MG), onde faleceu em 1997 em decorrência a um enfisema pulmonar.
Foto: Jornal do Brasil
Fonte: As Quatro Vidas de Volta Seca (Robério Santos)
Nota: A história de Antônio dos Santos encantou o ator bonfinense Edmar Dias, que escreveu e protagonizou a peça “Volta Seca – O Sentinela do Cangaço”, baseada na vida do menino cangaceiro.













