Comissão sobre Mobilidade Urbana do Senado debate situação das calçadas do Brasil

Segundo a Campanha Calçadas do Brasil, um levantamento feito em 2019 pelo Portal Mobilize, Mobilidade Urbana Sustentável, as calçadas brasileiras são ruins ou regulares

Iara Farias Borges / Rádio Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Segundo a Campanha Calçadas do Brasil, um levantamento feito em 2019 pelo Portal Mobilize, Mobilidade Urbana Sustentável, as calçadas brasileiras desestimulam as pessoas a caminhar. Numa escala de zero a dez, a nota mínima aceitável é oito, e a média nacional ficou em 5 vírgula 71, explicou Marília Hildebrand, representante do Portal.

“Todas as cidades não chegaram a uma média boa. Todas elas ficaram numa nota entre ruim e regular. No caso de São Paulo, foi 6,93, a maior nota; no caso de Belém, que foi a pior nota, a gente tem 4,52. Mas todas elas ficam nessa faixa entre ruim e regular”, disse Marília Hildebrand .

Representando a Organização Andar a Pé, Wilde Gontiji defendeu a responsabilização dos prefeitos pela má qualidade das calçadas.

“Não estamos aqui só defendendo o andar a pé por si, mas em função das grandes vantagens que o andar a pé causa nas nossas cidades: desonera o transporte coletivo, humaniza a cidade, reduz a poluição, melhora a saúde das pessoas e isso em grande escala”, falou Wilde.

Para auxiliar os gestores municipais, o Ministério de Desenvolvimento Regional elaborou o projeto “mobilidade urbana de baixo carbono”, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e outras entidades, explicou o representante do ministério Higor Guerra.

“Projeto muito valioso para a gente poder estar desenvolvendo uma mobilidade mais humana, uma mobilidade mais racional. Esses cadernos vão servir de referência, principalmente para os gestores públicos municipais, para entidades, para o setor privado também”, comentou Igor Guerra.

Neste mesmo sentido, rede instituída pelo Senado e outros órgãos do Executivo e Judiciário, publicou em 2019 um guia para autoavaliação sobre acessibilidade nos ambientes do setor público, informou a gestora do Núcleo de Coordenação de Ações Socioambientais do Senado, Karin Kässmayer. Na avaliação do senador Paulo Paim, do PT gaúcho, que presidiu o debate, as cidades não devem pensar acessibilidade apenas às pessoas com deficiência.

Afinal, todos queremos envelhecer. Enxergaremos menos, ouviremos menos e nossa mobilidade vai diminuir. As cidades brasileiras precisam preparar-se para acolher seus moradores, que viverão cada vez mais e em maior número”, disse o Senador.

O debate foi uma iniciativa dos senadores Mara Gabrilli, do PSDB de São Paulo, e Acir Gurgacz, do PDT de Rondônia.

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