São Marçal: a saudade de uma tradição que Bonfim quase esqueceu

Preservar as tradições é preservar quem somos

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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📷 IA

As tradições de Bonfim vão desaparecendo silenciosamente. A cada ano que passa, um costume deixa de existir, uma lembrança se apaga, uma página da nossa história popular vai sendo esquecida. Talvez porque não tenha sido devidamente transmitida de pais para filhos ou, quem sabe, porque os novos tempos tenham despertado outros interesses na juventude.

Hoje, 30 de junho, lembro-me do Dia de São Marçal, uma data que já foi celebrada com grande entusiasmo em diversos bairros e ruas da cidade. Era uma festa especialmente aguardada pelas moças solteiras, que se reuniam nos quintais para viver momentos de alegria, confraternização e esperança.

Nos fundos das casas era armada a tradicional fogueira de abafar. Em seu interior eram colocados objetos simbólicos: uma aliança, um terço, um véu, uma vela e tantos outros brindes, cada qual carregando um significado especial para quem sonhava com o futuro. A expectativa tomava conta de todas até o momento da derrubada da fogueira, um acontecimento cercado de emoção e brincadeiras.

Encerrada essa etapa, o forró tomava conta da noite. Sanfona, dança, comidas típicas, bebidas e muita animação faziam a festa seguir madrugada adentro. Era um tempo em que as pessoas se reuniam mais, conversavam mais e celebravam a vida com simplicidade.

Lembro-me das festas realizadas na antiga Rua de Baixo, atual Visconde, nas casas dos senhores Graciliano e Coló, de Dona Dalva, que promovia belas comemorações em homenagem à sua filha Luciene, além de tantas outras realizadas na Gamboa, no Alto da Maravilha, no Pernambuquinho, na Rua do Bandeira e em diversos outros pontos da cidade.

Houve até tentativas de resgatar essa tradição. A festa chegou a ser realizada no Centro Catequético e, posteriormente, transferida para um largo próximo ao Hotel Vitória. Entretanto, o esforço não encontrou continuidade e, com o passar do tempo, tudo voltou ao silêncio.

Hoje restam as recordações guardadas na memória daqueles que tiveram o privilégio de viver esses momentos. São lembranças que resistem ao tempo e insistem em nos recordar quem fomos e como construímos nossa identidade cultural.

Ao pensar nisso, inevitavelmente me vem à mente a voz de Luiz Gonzaga, traduzindo em poucos versos o sentimento de tantos bonfinenses:

E tenho mesmo. Saudades de um tempo em que as tradições eram vividas, celebradas e passadas adiante como um tesouro que pertencia a toda a comunidade.

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