Registro histórico revela a entrega da recompensa pela morte do cangaceiro Arvoredo, em 1934, e resgata memórias de um sertão marcado por conflitos e coragem.
Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Uma fotografia antiga, carregada de significado, eterniza um momento que atravessou décadas e ainda ecoa na memória de Senhor do Bonfim e região. O registro mostra o capitão Filadélfio Neves realizando a entrega da quantia de quatro contos de réis aos sertanejos João Bibiano da Silva e Cícero José Ferreira, conhecido como Xisto. A recompensa foi concedida após o confronto que resultou na morte do cangaceiro Arvoredo, no ano de 1934.
A imagem não é apenas um retrato posado. É um fragmento da história do sertão nordestino, em um período marcado pela tensão constante entre as forças policiais e os grupos de cangaceiros que percorriam a região. O cangaço, fenômeno social que misturava banditismo, resistência, vingança e sobrevivência, deixou marcas profundas nas cidades do interior baiano — e Senhor do Bonfim não ficou de fora desse cenário.
Arvoredo, integrante do universo do cangaço, teve seu destino selado em um confronto que entrou para a memória local. A entrega da recompensa simboliza mais que um pagamento: representa o esforço das autoridades da época para combater o avanço dos bandos armados, ao mesmo tempo em que revela a participação ativa de sertanejos nesses episódios históricos.
Quatro contos de réis, naquela época, era uma quantia significativa. O valor expressava o peso da missão cumprida e o reconhecimento oficial pelo feito. Para João Bibiano e Xisto, não foi apenas uma recompensa financeira, mas um marco que os colocou definitivamente nas páginas da história regional.
A fotografia, hoje, transforma-se em documento histórico. Ela nos convida a refletir sobre um tempo em que o sertão vivia sob a sombra do medo, mas também sob a força da coragem. Cada rosto na imagem carrega uma narrativa silenciosa — de conflitos, escolhas difíceis e sobrevivência em meio à dureza da vida sertaneja.
Resgatar esse registro é preservar a memória de uma época que ajudou a moldar a identidade do Nordeste. É lembrar que a história não está apenas nos livros, mas também nas imagens guardadas, nas histórias contadas pelos mais velhos e nos detalhes que resistem ao tempo.
Senhor do Bonfim, mais uma vez, prova que guarda em seus arquivos e lembranças capítulos importantes da história do Brasil. E cada fotografia como essa é uma janela aberta para compreender melhor quem fomos — e, consequentemente, quem somos.












