Um adeus com gratidão a um artista brilhante
Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

A cultura bonfinense se despede, com profundo pesar, do ator e professor Roniere Silva de Oliveira, de 50 anos, que faleceu nesta sexta-feira (28). Roni — como era carinhosamente conhecido — foi um dos grandes pilares da cena artística local, um dos fundadores do Núcleo Aroeira de Arte, inclusive o responsável pela escolha do nome que hoje carrega tantas histórias, encontros e criações.
Ao longo dos anos, sua presença foi força motriz de produções marcantes, sempre guiado pela sensibilidade, dedicação e pela incansável vontade de superar seus próprios obstáculos.
>> Clique aqui e entre no canal do BEC no WhatsApp
Ator, palhaço, professor, biólogo e artista do Teatro, Roni acumulava títulos, mas nenhum deles traduzia por completo a grandeza do ser humano que foi. Intelectual brilhante, criativo inquieto e companheiro generoso de cena, deixou marcas profundas em cada projeto que abraçou. No Casamento Matuto, durante as festas juninas de Senhor do Bonfim, integrou o elenco com o talento e a entrega que se tornaram sua assinatura.
A notícia de sua morte reacende, mais uma vez, um alerta urgente na sociedade bonfinense: o adoecimento psíquico precisa ser tratado com seriedade, empatia e responsabilidade coletiva. Sofrimento emocional e luta contra vícios nunca são jornadas isoladas — são questões sociais, comunitárias, humanas.

Entre as muitas homenagens, uma das mais emocionantes veio de seu primo, o artista Edmar Dias, que compartilhou lembranças de uma trajetória dividida dentro e fora dos palcos:
“Trabalhamos juntos como ator e palhaço, aqui em Salvador, e sempre admirei profundamente o artista e o intelectual que ele se tornou. Participamos de grandes eventos da cena baiana no início dos anos 2000, criando memórias que hoje guardo com enorme carinho. Sua aprovação na graduação em Teatro da UFBA foi uma alegria imensa, um orgulho como família e como colega de ofício. Tenho muitas histórias com Roni, mas uma das mais marcantes foi contracenar com ele e com a lenda do teatro brasileiro Wellson Mela, em uma noite memorável no Teatro Vila Velha. Momentos assim ficam gravados para sempre. Estou profundamente abalado com sua partida. A saudade é grande, mas ainda maior é a gratidão por tudo que vivemos juntos”.
Roniere partiu, mas a arte que espalhou permanece viva — nos palcos que tocou, nos alunos que inspirou, nos colegas que fortaleceu, nos laços que construiu e na memória afetiva de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Que seu legado continue ecoando e que sua partida nos convoque, com urgência, ao cuidado com a vida, com a mente e com o outro.
Que Roni descanse em luz.














