Por Angélica Santos – Advogada
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Eu pensei bastante antes de escrever sobre isso (foto acima). Porque eu já tive uma família “padrão”. Já fui casada, já vivi dentro daquele modelo que muita gente chama de tradicional, fui da “igreja”. E eu sei que existem famílias tradicionais felizes, estruturadas, respeitosas. Elas existem, sim.
Mas também sei, como mulher e como advogada, que muita coisa ruim se esconde atrás de discurso bonito.
Eu vejo no meu trabalho homens que falam em “valores” e respondem por violência doméstica, que na hora do divórcio “passam a perna” na mulher que conviveu anos com ele, muitas vezes mãe dos seus filhos. Pais que defendem moral e discutem pensão como se fosse favor, abandonam o filho, mas “adotam” outra família. Mulheres que são silenciadas em nome da religião.
E também não existe um único modelo legítimo de família. O Direito já reconheceu isso há muito tempo. Família é vínculo, é cuidado, é responsabilidade. Não cabe em um molde único.
O problema nunca foi a fé, muito menos a família. O problema é usar isso como escudo para não ser questionado.
Eu defendo família. Justamente por isso não fecho os olhos para a violência que muitas vezes acontece dentro dela.
E se alguém se sentiu atingido com a crítica… talvez não seja porque foi atacado. Talvez seja porque se reconheceu.

Drª Angélica K. Santos, Advogada (Taquara-RS) – Foto: Reprodução / Instagram












