“O sentimento é de gratidão”, diz maestro que voltou a enxergar após orar para Irmã Dulce

Baiano conta que pediu para não sentir dor após ter conjuntivite e foi dormir. Quando acordou, havia voltado a enxergar, após 14 anos cego. Milagre foi reconhecido pelo Vaticano

Por Maiana Belo, G1 BA

Maurício Moreira foi um dos convidados da cerimônia onde foi anunciada a data de canonização de Irmã Dulce — Foto: Maiana Belo/G1

O baiano agraciado por um milagre de Irmã Dulce, o segundo reconhecido pelo Vaticano, detalhou como voltou a enxergar depois de passar 14 anos cego. O primeiro milagre de irmã Dulce foi reconhecido em outubro de 2010, quando ela foi beatificada.

Durante a coletiva de imprensa, na manhã desta segunda-feira (1º), que anunciou a data da canonização da beata, a Arquidiocese de Salvador e as Obras Sociais Irmã Dulce apresentaram o homem que recebeu a graça de irmã Dulce. Foi o maestro Maurício Moreira, de 50 anos.

“Em 2014, eu tive uma conjuntivite e um derrame no olho. Sentia muita dor e não conseguia dormir. Eu peguei a imagem de Irmã Dulce, encostei no olho e pedi com muita fé que ela ajudasse a acabar com aquela dor. Eu não pedi pra voltar a enxergar. Só queria dormir sem dor. Após a oração eu bocejei e dormi. Quando acordei, minha esposa tinha colocado umas compressas no meu olho e quando eu fui tirando eu vi os vultos da minha mão”, disse.

Maurício conta que teve glaucoma e começou a perder a visão em 1999. Conforme relatou, em 2000 ele já estava cego. Mas, em 2014, foi agraciado.

“Três semanas depois [de ver o vulto da mão] eu comecei a enxergar de vez. Liguei para o médico [que estava me acompanhando] e disse: ‘Está acontecendo algo estranho no meu olho’. O médico mandou eu ir na clínica, quando ele chegou eu disse que estava enxergando. Ele me examinou e disse que não sabia explicar o que aconteceu e disse: ‘Foi Deus’. E eu disse: ‘Deus e Irmã Dulce’”.

O maestro e a família dele sempre admiraram Irmã Dulce. Maurício conta que cuida, com muito carinho, de uma imagem da beata que era da mãe dele, falecida em 2012.

“Obrigado a Irmã Dulce. Graças a ela eu estou aqui. O sentimento hoje é de gratidão”

Canonização

O Vaticano anunciou a canonização de Irmã Dulce em maio deste ano, quando o segundo milagre atribuído à religiosa, também conhecida como “o anjo bom da Bahia”, foi reconhecido por meio de decreto. Ela será a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa.

A canonização de Irmã Dulce será a terceira mais rápida da história (27 anos após seu falecimento), atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte).

Três graças alcançadas por devotos, após orações a Irmã Dulce, estavam sendo analisadas pelo Vaticano, com vista no processo de canonização da religiosa. Esses três casos foram enviados ao Vaticano pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em 2014, após análise de profissionais da própria instituição.

Irmã Dulce, a primeira mulher nascida no Brasil que se tornará santa, será canonizada no dia 13 de outubro de 2019, em uma celebração presidida pelo Papa Francisco, no Vaticano, em Roma.

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