O jogo da culpa

Quando terceirizar problemas parece mais fácil do que enfrentá-los

Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Vivemos tempos em que assumir responsabilidades parece um peso grande demais para muitos ombros. Diante de um problema, a reação imediata de algumas pessoas não é refletir, dialogar ou buscar soluções — é procurar para quem apontar o dedo.

Terceirizar problemas virou um hábito perigoso. Quando algo dá errado, é sempre “culpa do outro”, “culpa do sistema”, “culpa da equipe”, “culpa da família”, “culpa do governo”. Raramente é culpa da própria postura, da falta de diálogo ou da ausência de comprometimento.

O problema de transferir responsabilidades é que, junto com elas, transferimos também a oportunidade de crescimento. Quem não assume seus erros dificilmente amadurece. Quem não reconhece sua participação nos conflitos, dificilmente aprende a evitá-los no futuro.

O diálogo, por sua vez, exige coragem. Exige humildade para ouvir. Exige maturidade para reconhecer falhas. E, principalmente, exige disposição para resolver — não para vencer.

É mais confortável espalhar a culpa do que reunir as partes envolvidas e conversar com sinceridade. É mais simples reclamar do que propor soluções. Porém, enquanto continuarmos terceirizando nossos problemas, permaneceremos dependentes das atitudes alheias para encontrar paz.

Assumir responsabilidades não significa carregar o mundo nas costas. Significa reconhecer o próprio papel nas situações e fazer o que está ao nosso alcance para melhorar o cenário.

Relacionamentos se fortalecem quando há conversa. Equipes evoluem quando há responsabilidade compartilhada. Famílias crescem quando há transparência. Sociedades avançam quando o diálogo substitui a acusação.

No fim das contas, a maturidade começa quando trocamos o “quem foi?” pelo “como resolvemos?”.

E talvez essa simples mudança de pergunta seja o primeiro passo para transformar conflitos em pontes, e problemas em aprendizados.

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