Por Marcos Cesário

Há menos de duas semanas encontrei Roniere na rua e ele me disse que estava feliz. Estava frequentado os alcoólicos anônimos e vivia uma nova fase em sua vida.
Faz uma semana que o encontrei, casualmente, de novo, com sua esposa Daneza e seu filho Raul. Conversamos sobre filhos e sobre a vida que merece ser vivida nas coisas e nos momentos mais simples: como aquele momento do nosso reencontro.
Rony acabou de morrer. Morreu num bar. Já fazia uns cinco dias que ele bebia sem parar. Caiu e morreu. Morreu depressa: parada cardíaca. E com ele morreu sua sinceridade que tanto detestávamos e admirávamos.
Rony tinha muitos defeitos, como todos nós, mas era sincero. Não sabia esconder o que sentia. Dizia o que pensava e por isso desagradava muita gente. Rony já me irritou com sua sinceridade que, muitas vezes, era infantil e inconveniente.
Mas ele era sincero e tinha um coração bom. Sempre senti um carinho verdadeiro por ele. Nunca fomos amigos. Mas nunca foi alguém que eu desprezasse por tentar esconder suas intenções perversas e hipócritas. Não era hipócrita. Por isso o mundo nunca lhe aceitou bem e ele nunca se aceitou bem neste mundo.
Mais tarde vou ao seu velório. Olharei seu rosto que ria sem reservas e que olhava, com uma curiosidade desesperada, tudo e todos pela primeira e última vez.
Rony, que você tenha encontrado, agora, seu lugar em algum lugar…













