De Duas Barras para o mundo, o artista que conciliou farda e pandeiro construiu uma trajetória marcada por talento, coerência e amor às raízes do samba brasileiro.
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Nascido em 12 de fevereiro de 1938, em Duas Barras, no Rio de Janeiro, Martinho José Ferreira começou a trilhar seu caminho na música ainda jovem, mas foi na década de 1960 que ganhou projeção nacional ao defender seus sambas nos festivais e se destacar como um dos grandes nomes da Vila Isabel.
Sua voz marcante, o sorriso sempre presente e a maneira única de contar histórias transformaram canções como Casa de Bamba, Canta Canta, Minha Gente, Disritmia e Mulheres em verdadeiros hinos da música brasileira.
Antes de se dedicar integralmente à arte, Martinho também vestiu a farda: serviu ao Exército Brasileiro por cerca de 13 anos, alcançando a patente de 3º Sargento. Atuou como escrevente de infantaria e datilógrafo no Ministério da Guerra, conciliando a vida militar com o samba até 1969, quando deixou a carreira no Exército para seguir definitivamente o caminho artístico.
Martinho já contou em entrevistas que, por ser militar e frequentar círculos de sambistas (muitos deles ligados a movimentos de esquerda), ele chegou a ser visto com desconfiança pelos dois lados durante o período da ditadura: os militares desconfiavam de suas amizades, e os artistas desconfiavam de sua farda.
Compositor inspirado, escritor e defensor das raízes do samba, Martinho ajudou a popularizar o gênero sem perder a essência. Sua obra celebra o amor, a cultura afro-brasileira, a simplicidade do cotidiano e o orgulho da Vila Isabel, escola que ele ajudou a eternizar na história do Carnaval.
Além da música, também construiu uma trajetória marcante na literatura: Martinho ocupa a cadeira número 6 da Academia Carioca de Letras e possui cerca de 15 livros publicados, transitando entre ficção, memórias e a história do samba.
Ao longo de quase seis décadas de carreira, tornou-se referência não apenas pela música, mas também pela elegância, coerência e respeito às tradições.
Parabéns, Martinho da Vila! Que seus 88 anos sejam celebrados com muito samba, saúde e alegria.
Estrelas e História












