
Morreu por volta das 5h50 desta quinta-feira (31), o poeta, escritor e jornalista Hélio Freitas, aos 91 anos de idade. Hélio estava internado no Hospital Paulo Hilarião desde o último domingo com suspeita de Covid-19. Na manhã de hoje, ele não resistiu.
Nas palavras do advogado bonfinense Sérgio Reis, “nascido em Campo Formoso, Hélio se transformou em um bonfinense ferrenho, adotando a cidadania e incorporando por completo um amor à terrinha como torrão natal. Foi um agitador cultural inigualável, liderando movimentos em Bonfim nas décadas de 40 e 50, o que lhe rendeu apoiadores e opositores. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, mas após aposentar-se retorna à Bahia e volta a residir em Bonfim. Deixou vários livros de crônicas e poesias. O seu jeito de comentar fatos sertanejos é incomensurável!
Homenagens
A morte de Hélio Freitas causou grande comoção nos meios artísticos e culturais de Senhor do Bonfim.
Maria Glória da Paz, professora da Uneb em Senhor do Bonfim, cantora e compositora, publicou no seu Facebook:
E o meu poeta, meu analfabeto predileto partiu!
Fechou o livro, fechou o ciclo e se foi pendurado numa das pontas da estrela de Belém.
Valeu poeta!
Valeu Nosso Hélio!
Valeu Freitas!
Axé!
Alex Barbosa, da Página Minha Cidade Senhor do Bonfim, também fez questão de homenagear essa figura brilhante:
O MESTRE COM CARINHO
Desde que comecei pesquisar e escrever sobre a história de Senhor do Bonfim conheci algumas pessoas que passaram a influenciar meu trabalho e que carinhosamente as chamo de “mestres”.
Conheci Hélio Freitas há menos de dois anos, pouco tempo para descobrir todas as suas qualidades, mas o suficiente para perceber uma das virtudes mais valorosas do ser humano: a GENEROSIDADE. Hélio foi generoso com a vida e suas histórias, com memórias, ideias, sentimentos, sorrisos, abraços e, principalmente com os amigos. Todas as vezes que estava em sua companhia era como se estivesse ao lado de um avô, de um pai, de um amigo e conversar com ele é ter a certeza de sempre aprender, pois sua ciência é ensinar como fazem os grandes mestres.
Hoje, último dia de um ano marcado por tantas tristezas, Hélio Freitas nos deixou! Já não terei mais aquelas horas de prosas que eu gostava tanto de ouvir e ele tanto de contar. Hélio vai fazer falta e a saudade vai estar presente em cada um que o conheceu. Mas, Hélio permanecerá vivo em sua poesia e em cada história do povo de sua terra.
Obrigado, mestre!
A Professora Perpétua Andrade fez este lindo texto para homenagear Hélio Freitas:
“Então, nós só não iremos participar do recital de poesias que acontece tradicionalmente no dia 31, na casa do meu vizinho, poeta e iluminado artista. A gente até se convidou mas ele vai poetizar em outro plano. Sim! Teremos poesia, risos, reencontros, bate- papos e muita serenidade de quem fez uma passagem consciente da missão cumprida com louvor. De certo que o dono da festa desejava presenciar dias melhores nesse mundo cão que estamos vivendo, mas com a sapiência que lhe é tão peculiar, sorriu e pensou: ‘Cá estou indo eu descansar esse meu corpo de tantas histórias, tantos caminhos, menos descansar do meu samba, da minha boa música e dos versos que povoaram a minha existência nesses 91 anos por aqui’. Que seja um lindo dia de festa por aí, Sr. Hélio! Que a leveza, o ritmo, a poesia e o encantamento sejam eternos assim como o último sorriso que eu consegui ‘capturar’. Tem poesia sim!”

Morador do Bairro do Derba, Hélio Freitas deu uma grande contribuição para a cultura, seja como escritor, sendo autor de diversos livros, ou como poeta. É autor de várias poesias.
“Quero voltar a ser criança…
Gritar palhaço, jogar castanhas,
Ferrar dinheiro na estação
E de noitinha, roupa engomada,
Gritar no meio da macacada:
Zé Titela! João Dentão!
Vou lá no ‘Pernambuquinho’
Que o Roque, irmão do Anjinho,
Fez um time de botão!”
(Hélio Freitas)
Devido aos protocolos de segurança, por causa da Covid-19, provavelmente não haverá velório. Horário e local de seu sepultamento ainda não foram divulgados.












