Lavagem do Bonfim une festa e devoção nas ruas de Salvador

Culto na Bahia começou em 1745, com imagem peregrina que veio de Portugal

Por Folha de S.Paulo

>> Siga o canal do BEC no WhatsApp

Milhares de fiéis participam do cortejo da Lavagem do Bonfim, em Salvador – Foto: Thuane Maria/Divulgação Governo da Bahia

O entorno da Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, foi tomado por uma multidão vestida de branco desde as primeiras horas desta quinta-feira (15).

Entre baianas adornadas de branco e prata, jarros com flores e água de cheiro e um perfume de alfazema no ar, centenas de milhares de fiéis participaram da Lavagem do Bonfim, uma das principais celebrações do calendário de festas populares da Bahia.

A festa religiosa é marcada pelo sincretismo. Reúne, lado a lado, o culto ao Senhor do Bonfim pelos católicos e a celebração de Oxalá pelos adeptos do candomblé. O cortejo de 6,8 quilômetros vai até a Basílica Santuário Senhor do Bonfim, seguindo a máxima baiana de que “quem tem fé, vai a pé”.

O calendário das celebrações foi iniciado no último domingo (11), quando uma procissão marítima fez o traslado até a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia.

Baianas seguem a pé até a Colina Sagrada, onde vão lavar as escadarias e o adro da Basílica do Senhor do Bonfim – Foto: Matheus Landim / Divulgação Governo da Bahia

Nesta quinta-feira, a festa começou por volta das 7h30 com um ato ecumênico na Conceição da Praia, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

O ato foi encerrado com o Hino ao Senhor do Bonfim, composto em 1923 para comemoração do primeiro centenário da Independência da Bahia.

Encerrada a cerimônia religiosa, a imagem do Senhor do Bonfim seguiu pelas ruas da Cidade Baixa sob um tempo nublado. Cerca de 1 milhão de pessoas participaram do cortejo, segundo a prefeitura.

O culto ao Senhor do Bonfim na Bahia começou há 281 anos, quando a imagem peregrina veio de Setúbal, em Portugal, para cumprir uma promessa do capitão de mar e guerra Theodósio Rodrigues de Faria.

A tradição do cortejo começou em 1773. Foi iniciada por romeiros e escravos que, a mando dos senhores integrantes da Irmandade do Senhor do Bonfim, limpavam e enfeitavam a igreja para a missa de domingo. O cortejo acontece sempre na quinta-feira que antecede o segundo domingo após o Dia de Reis.

Foto: Matheus Landim / Divulgação Governo da Bahia

No cortejo, católicos, filhas e filhas de santo, praticantes de outras religiões e até mesmo ateus se misturaram aos minitrios, grupos de samba-de-roda, de percussão e de capoeira.

Bandas de sopro tocavam clássicos do axé, dando um clima carnavalesco à festa religiosa. Desde 1998, o desfile de trios elétricos foi proibido na Lavagem.

A imagem do Senhor do Bonfim seguiu até a Colina Sagrada, onde foi recebida com palmas, cânticos e fogos de artifício. Féis aproveitaram para amarrar fitinhas do Senhor do Bonfim no gradil que cerca o templo religioso, fazer pedidos e agradecer.

No encerramento do cortejo, o adro e escadarias da Basílica foram lavados pelas baianas com folhas e água de cheiro, celebrando por mais um ano a proteção de Oxalá e o Senhor do Bonfim.

Foto: Thuane Maria/Divulgação Governo da Bahia

Veja também

Sisu 2026 ofertará 24,7 mil vagas na Bahia

Estado terá 13.099 vagas do Sistema de Seleção Unificada ofertadas por universidades federais, 3.739 por institutos federais e 7.930 por universidades estaduais