Janeiro Branco: saúde mental em adolescentes e jovens exige cuidado diante da ansiedade crescente e do autodiagnostico disponível nas redes

FONTE: Comunicação Corporativa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz/Camilla Conde

Segundo levantamento, mais da metade dos adolescentes brasileiros se sentem frequentemente preocupados

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Foto: Reprodução / Gov.br

A campanha Janeiro Branco, movimento nacional de conscientização sobre saúde mental e emocional amplia, a cada ano, o espaço para falar de saúde mental de forma aberta e responsável. Entre adolescentes e adultos jovens, o tema ganha ainda mais relevância em um contexto marcado por ansiedade crescente, excesso de informação e pela circulação intensa de conteúdos sobre transtornos mentais nas redes sociais.

Dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), analisados em estudo publicado na Revista Mineira de Enfermagem, indicam que mais da metade dos adolescentes brasileiros se sentem frequentemente preocupados, 31,4% relatam tristeza persistente e 21,4% afirmam sentir que a vida não vale a pena ser vivida.

O levantamento, que analisou informações de 125 mil estudantes de 13 a 17 anos em todo o país, mostra ainda que 17,7% dos jovens avaliam sua própria saúde mental de forma negativa, evidenciando um cenário de sofrimento emocional relevante nessa faixa etária.

O acesso a vídeos, relatos pessoais e listas de sintomas nas redes sociais pode ajudar jovens a nomear sensações e buscar ajuda, mas também pode gerar interpretações precipitadas. “É comum o paciente chegar ao consultório dizendo que se identificou com determinado diagnóstico a partir do que viu ou leu na internet. Isso precisa ser acolhido, mas também cuidadosamente avaliado”, diz Dr. Alaor.

Para o especialista, o ambiente digital faz parte da realidade de adolescentes e jovens e precisa ser compreendido com mais nuance. As redes sociais podem ampliar o acesso à informação e ao debate sobre saúde mental, mas também exigem leitura crítica e mediação qualificada. “O desafio é entender como dialogar com esse público e extrair o melhor desse ambiente, sem demonizar a rede social como se ela fosse, sozinha, a causa de tudo”, diz.

Na prática clínica, o critério central para diferenciar um transtorno mental de um fenômeno comportamental está no impacto na vida cotidiana. “Para falarmos em diagnóstico, é fundamental haver impacto funcional: na escola, no trabalho, nas relações ou na autonomia. Sem isso, o rótulo pode mais confundir do que ajudar”, alerta.

De acordo com o psiquiatra, quando o jovem se fixa em um autodiagnostico fechado antes da avaliação profissional, existe o risco de atrasar intervenções mais adequadas. “O diagnóstico não deve servir como identidade ou explicação total da vida da pessoa. Ele é uma ferramenta clínica para orientar o cuidado, e não um fim em si mesmo”, afirma.

Segundo ele, nem toda dificuldade de concentração é TDAH, nem toda dificuldade social é um transtorno do espectro autista, nem toda tristeza é depressão, e a avaliação especializada é justamente o que permite diferenciar essas situações.

“Cuidar da saúde mental não é buscar um diagnóstico rápido, nem atender a padrões idealizados de funcionamento. É reconhecer limites, entender o próprio momento de vida e procurar ajuda quando o sofrimento começa a interferir na qualidade de vida”, orienta Dr. Alaor.

De acordo com o especialista, ansiedade persistente, alterações significativas de sono, apetite ou humor ao longo de semanas, além de crises de pânico ou sintomas físicos recorrentes sem causa clínica aparente, merecem atenção.

Outro sinal de alerta é o isolamento social progressivo, a perda de interesse por atividades antes prazerosas e o uso de álcool ou outras substâncias como tentativa de aliviar o sofrimento emocional. Em situações de desesperança intensa ou pensamentos de autolesão, a orientação é buscar ajuda imediata, em serviços de saúde ou canais de apoio.

No ambiente digital, o consumo de conteúdos sobre saúde mental exige cautela. “A informação pode ajudar a reconhecer que algo não vai bem, mas não substitui uma avaliação clínica. A recomendação é evitar diagnósticos simplificados e levar dúvidas e identificações para profissionais qualificados”, ressalta o especialista.

Para o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Janeiro Branco é uma oportunidade de reforçar uma mensagem essencial: saúde mental deve ser cuidada desde cedo, com escuta qualificada, acompanhamento profissional e expectativas realistas.

Sobre o Hospital Alemão Oswaldo CruzÉ um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde.

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