Irmão de fiel baleado em igreja por suposta briga política diz que pastores não deram apoio: ‘Para mim, isso é pior que o tiro’

FONTE: Por Rafael Oliveira, g1 Goiás

Polícia Civil investiga o caso e já apreendeu a arma e celular do PM que atirou.

Cabo Vitor da Silva Lopes e o assessor empresarial Davi Augusto de Souza, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O motorista de aplicativo Daniel Augusto de Souza, irmão do fiel baleado na igreja na Congregação Cristã no Brasil por uma suposta briga política com um policial militar, desabafou nesta sexta-feira (9) sobre a inércia dos líderes da igreja. Segundo Daniel, os pastores não deram apoio ao irmão e à família.

“Para mim, isso é pior que o tiro. Não recebemos uma ligação dos pastores anciãos para saber como estamos. Nenhuma visita”, desabafou Daniel.

Um membro do chamado conselho de anciãos da Congregação Cristã em Goiânia disse ao g1 que não há uma visita programada para o fiel baleado. O membro preferiu não se identificar porque, segundo ele, não há um diretor na hierarquia da igreja e as decisões são tomadas pelo conselho.

“Foi uma confusão entre dois membros. Como a igreja não é responsável por atos dos seus membros, a situação foi criada entre eles mesmos. A situação ocorreu num corredor, tanto que o culto continuou porque ninguém ouviu”, declarou o ancião.

A suposta discussão entre Davi Augusto de Souza, que foi baleado, e o policial militar Vitor da Silva Lopes, que atirou, aconteceu em 31 de agosto, num corredor da igreja localizada no Setor Finsocial, em Goiânia. Daniel disse que o culto continuou mesmo com bombeiros prestando socorro ao irmão.

O cabo da PM Vitor da Silva Lopes, que atirou, disse que foi atacado pela vítima e seus familiares e reagiu. Num dado momento, ele achou que queriam tomar sua arma e, por isso, a sacou e pediu para se afastarem, o que não foi obedecido. Para se defender, ele alega que fez um disparo na perna da vítima para cessar as agressões, sem intenção de matá-la.

Bombeiros socorrem homem baleado dentro de igreja por briga política em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil investiga o caso e apreendeu a arma e o celular do PM. A corporação disse em nota que 13 pessoas já foram ouvidas até a sexta-feira (9), entre autor, vítima, familiares, testemunhas oculares e cooperadores da igreja.

A polícia informou que aguarda ainda o relatório médico fornecido pela unidade de saúde que atendeu a vítima para complementar a investigação.

Discussão em igreja

Davi foi baleado dentro da Igreja Congregação Cristã no Brasil. Segundo Daniel Augusto de Souza, irmão da vítima, a briga se deu por causa de uma circular sobre eleições que foi distribuída na igreja, pedindo aos fiéis para não votarem em candidatos que têm plano de governo a favor da desconstrução das famílias. A publicação foi realizada em abril deste ano e lida em todas as congregações.

“Meu irmão saiu para beber água e o policial também. Do lado de fora, meu irmão, o policial e outra pessoa começaram um debate sobre quem da igreja apoia ou não o governo, que os membros não deveriam votar na esquerda, como indicaram os líderes”, comentou o irmão.

Ele contou também que o culto seguia normalmente enquanto o irmão era atendido por bombeiros no corredor do templo.

“Não devemos votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher”, diz a carta.

Igreja Congregação Cristão pede para fiéis não votarem em candidatos que são contra a família formada por homem e mulher, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/ICCB

Ao g1, Daniel ainda contou que Vitor é um amigo de longa data da família. Ele conta que conheceu o policial militar quando este tinha apenas 7 anos de idade. Já seu irmão, Davi Augusto, e Vitor, teriam se tornado amigos quando o policial entrou para a igreja em que ambos frequentam, há mais de dez anos.

A Polícia Militar informou na época do tiro que abriu um procedimento administrativo disciplinar para verificar a conduta do policial e afirmou que ele segue trabalhando normalmente.

A reportagem questionou ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) se a publicação de documentos com orientações políticas por igrejas é considerada crime eleitoral, mas o órgão disse que o questionamento deve ser realizado ao Ministério Público Eleitoral (MPE). Desta forma, o g1 entrou em contato com o Ministério Público Federal (MPF), que responde pelo MPE, às 18h50 em 2 de agosto e não obteve resposta.

Veja também

Não perca sua essência

A dor não precisa mudar quem você é — sua diferença é a sua maior força Por Blog do Eloilton Cajuhy –