“Entender do jogo expõe inseguranças que vão além do campo”, afirma Myriã Pedron
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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A ex-musa do Brasileirão Myriã Pedron, 36 anos, natural de Santos (SP), afirma que entender de futebol tem se tornado um obstáculo recorrente na vida afetiva. Conhecida por ter representado o Santos Futebol Clube em concursos ligados ao Brasileirão, ela diz que a relação com o esporte, que hoje faz parte do seu trabalho como comentarista esportiva nas redes sociais, interfere diretamente na forma como alguns homens se comportam logo nos primeiros encontros.
Ao relatar essas situações, Myriã explica que a mudança costuma acontecer quando a conversa entra no futebol. Ela conta que, no início, muitos homens se aproximam acreditando que vão conduzir o assunto. Quando percebem que ela acompanha campeonatos, entende de jogadas, esquemas táticos e fala com propriedade, a dinâmica se altera.
“Quando eles percebem que eu acompanho os campeonatos e entendo de jogadas táticas, o comportamento muda completamente”, diz.
Segundo a comentarista, o desconforto quase nunca é verbalizado, mas aparece em atitudes. Ela afirma que já percebeu homens ficando defensivos, outros tentando testá-la o tempo todo, como se precisassem provar que sabem mais. Em alguns casos, relata que o interesse simplesmente desaparece. Para ela, isso deixou de parecer coincidência e passou a se repetir com frequência.
Em algumas ocasiões, Myriã diz que chegou a fingir desconhecimento de propósito. Ela conta que já fez perguntas sobre jogadas ou esquemas que domina apenas para observar a reação do outro.
“Quando eu faço isso, a conversa flui melhor. Parece que a pessoa se sente mais confortável quando pode ocupar o lugar de quem ensina”, relata.
Para Myriã, essas experiências revelam um padrão ainda presente nas relações. Ela avalia que existe uma expectativa silenciosa de que o homem seja o detentor do conhecimento sobre futebol.
“Existe uma regra não dita: o homem aceita que você seja bonita, mas não espera que você entenda mais do que ele sobre futebol. Quando percebem que isso não é necessário, o interesse muda”, afirma.
No entendimento da influenciadora, o futebol acaba funcionando menos como um ponto de conexão e mais como um termômetro das relações de poder que se estendem para além do campo.
“Nunca foi sobre competir ou provar algo. É só gostar e entender de futebol, mas isso ainda incomoda mais do que deveria”, finaliza.












