Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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O aumento da violência contra mulheres no Brasil reforça a urgência das discussões realizadas na 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne governos e organizações da sociedade civil para debater políticas de igualdade de gênero e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
A CRIOLA, organização brasileira de mulheres negras, acompanha os debates em Nova Iorque (EUA), onde as discussões acontecem, e alerta que os compromissos discutidos internacionalmente precisam se traduzir em políticas concretas nos países.
Dados divulgados neste ano por órgãos de segurança pública e pelo Governo Federal mostram que a violência de gênero segue sendo um dos principais desafios no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, o maior número da última década (fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Ministério da Justiça), um aumento de 5% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 1.492 casos.
Os dados também evidenciam o impacto desproporcional da violência sobre mulheres negras: levantamentos indicam que 62,6% das vítimas de feminicídio no país são mulheres negras, segundo análises baseadas no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com alguns estudos apontando que esse percentual pode chegar a quase 70% das vítimas.
No estado do Rio de Janeiro, dados da Polícia Civil e do Instituto de Segurança Pública (ISP) também indicam crescimento nas investigações e denúncias relacionadas a feminicídios e tentativas de feminicídio nos últimos anos, reforçando o cenário de alerta em relação à violência de gênero.
As discussões da CSW70 também abordam a necessidade de fortalecer marcos legais e políticas públicas para prevenir e eliminar todas as formas de violência contra mulheres e meninas, incluindo crimes de gênero como o feminicídio, além de garantir acesso à justiça, serviços de proteção e responsabilização dos agressores.
O documento de diretrizes discutido pelos países reforça que a violência de gênero é um obstáculo central para a igualdade entre homens e mulheres e para a plena participação das mulheres na vida pública.
O texto também destaca que a violência contra mulheres e meninas — incluindo violência doméstica, assédio sexual e assassinatos relacionados ao gênero — está enraizada em desigualdades estruturais e em relações históricas de poder entre homens e mulheres, sendo uma das principais barreiras para o exercício pleno dos direitos humanos das mulheres.
A sessão da CSW70 segue até o dia 19 de março em Nova Iorque.












