Dia dos Pais: ciência revela que a paternidade transforma o cérebro masculino

FONTE: Andréa Castro

Estudos identificaram alterações significativas nas atividades cerebrais e nos níveis hormonais, demonstrando uma adaptação do organismo às novas responsabilidades

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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📷 Divulgação / UniFG-BA/Magnific

A chegada de uma criança muda a rotina, os hábitos e as prioridades de uma família. Mas as transformações provocadas pela paternidade vão muito além do comportamento. Estudos realizados nas últimas décadas mostram que o cérebro masculino também passa por adaptações importantes após o nascimento de um filho, favorecendo o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao cuidado, à empatia e ao fortalecimento dos vínculos afetivos.

Neste Dia dos Pais, a ciência ajuda a explicar por que muitos homens relatam uma mudança profunda na forma de enxergar o mundo depois da paternidade. Pesquisas com exames de neuroimagem identificaram alterações na atividade de regiões cerebrais ligadas às emoções, à atenção, à motivação e à capacidade de interpretar os sinais emitidos pelos bebês, como o choro e as expressões faciais.

Uma publicação na revista científica Cerebral Cortex, em 2022, por exemplo, revelou que homens de primeira viagem apresentam modificações na estrutura cerebral durante a transição para a paternidade, especialmente em regiões relacionadas à cognição social e ao processamento das emoções. Os pesquisadores observaram que essas mudanças foram mais observadas entre pais que demonstravam maior envolvimento com os cuidados do bebê, sugerindo que o cérebro masculino também se adapta para responder às demandas da parentalidade.

Segundo Woquiton Rodrigo, neurologista e professor do curso de Medicina da UniFG Bahia, essas mudanças representam uma adequação natural do organismo às novas responsabilidades. “O cérebro é altamente plástico, ou seja, tem capacidade de se reorganizar diante de novas experiências. A paternidade estimula circuitos neurais relacionados ao cuidado, à proteção e à conexão emocional com o filho, tornando o pai mais atento às necessidades da criança”.

Estudo publicado no Journal of Neuroendocrinology, em 2023, sinalizam ainda que a paternidade está associada a variações hormonais importantes. Entre elas, destacam-se a redução dos níveis de testosterona e alterações na ocitocina, hormônio relacionado ao vínculo afetivo. De acordo com os pesquisadores, homens que apresentaram maiores concentrações de ocitocina durante a gestação da parceira tiveram mudanças mais significativas em regiões cerebrais ligadas à empatia e ao cuidado, além de relatarem maior vínculo com os filhos e menor estresse na adaptação à nova rotina.

Outro aspecto que chama a atenção dos pesquisadores é que essas mudanças não dependem apenas da biologia. “O contato frequente com a criança exerce um papel decisivo na remodelação do cérebro paterno. Atividades cotidianas, como dar banho, trocar fraldas, colocar o bebê para dormir, brincar ou simplesmente segurar o filho no colo, estimulam áreas cerebrais relacionadas ao afeto e ao cuidado”, explica o docente.

As descobertas da neurociência ajudam a desconstruir a ideia de que apenas as mães são biologicamente preparadas para cuidar dos filhos. Pesquisas apontam que pais adotivos e casais homoafetivos que assumem os cuidados diários das crianças também apresentam padrões de ativação cerebral semelhantes aos observados em pais biológicos, evidenciando que a convivência e a experiência desempenham um papel fundamental na construção da parentalidade.

Para os homens, o envolvimento na criação dos filhos também está associado ao fortalecimento dos laços familiares, ao aumento da sensação de bem-estar e ao desenvolvimento de competências emocionais que impactam positivamente outras áreas da vida.

📷 Divulgação / UniFG-BA/Magnific

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