Layla Lima Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção, exercendo irregularmente o cargo de advogada. Ela tomou posse do cargo em dezembro de 2025
Por Bruno Tavares, TV Globo
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Uma delegada recém-empossada foi presa em São Paulo nesta sexta-feira (16), durante uma operação do Ministério Público, por suspeita de advogar para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a investigação, a delegada Layla Lima Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção criminosa. Ela também é suspeita de ter exercido irregularmente a advocacia ao atuar em audiências de custódia na defesa de presos ligados a organizações criminosas, apesar de já ocupar o cargo de delegada.
A reportagem tenta localizar a defesa de Layla.
Na ocasião, conforme imagens publicadas nas redes sociais, ela estava acompanhada do namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel. Ele é apontado pelas autoridades da Região Norte do país como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.
A pedido do Ministério Público, a Justiça decretou a prisão temporária dela e do namorado. O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Além dos mandados de prisão, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA).
Um dos endereços da operação é a Academia da Polícia Civil, no Butantã, na Zona Oeste da capital, onde Layla mantinha um armário.

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Costa, comentou a prisão da delegada. “Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”, afirmou.
Atuação ilícita
Segundo o Ministério Público, em 28 de dezembro do ano passado — nove dias após tomar posse como delegada na capital — Layla atuou como advogada na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, a 523 quilômetros de Belém.
Contudo, a conduta é proibida tanto pelo Estatuto da Advocacia quanto por normas estaduais, que vedam a delegados de polícia o exercício da advocacia privada.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam que Layla utilizava o cargo para favorecer interesses da facção criminosa. Como delegada, ela teria acesso a inquéritos e a bancos de dados com informações restritas.
As investigações também apontam que Layla e o namorado teriam adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com dinheiro de origem ilícita, utilizando o nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do negócio.












