Especialista reforça a importância do monitoramento e controle dos conteúdos acessados por crianças e adolescentes por parte de responsáveis.
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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No início de janeiro, a plataforma de jogos Roblox alterou suas regras de restrição do uso do chat para que jogadores confirmem as suas idades. Desta forma, fica determinado que os usuários possam conversar apenas com pessoas de faixa etárias próximas. A medida trouxe uma série de protestos virtuais na plataforma, principalmente por jovens que estranharam as novas diretrizes.
A situação traz luz a um tema que segue em debate nos últimos tempos: a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, fazendo com que a discussão seja ainda mais necessária. Segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), cerca de 85% de crianças e jovens entre 9 e 17 anos já têm perfil em pelo menos uma plataforma digital.
Com esse cenário em vista, em 2025 organizações de defesa a crianças e adolescentes, como a Plan Brasil, ONG que trabalha para romper ciclos de violências contra meninas, participaram dos debates sobre a aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), que representa um marco legal na proteção desse grupo.
A legislação, institui princípios de “responsabilidade compartilhada” que impõem não apenas obrigações às famílias, mas também deveres de conformidade às plataformas digitais para adoção de mecanismos de proteção integral, reforçando que este deve ser um trabalho conjunto de toda sociedade.
À medida que a infância se torna cada vez mais conectada, as experiências vividas online passam a influenciar diretamente a formação emocional, cognitiva e cidadã das novas gerações. Além disso, esse crescimento também expõe um conjunto crescente de desafios relacionados à segurança, à privacidade e ao desenvolvimento saudável da infância, tornando a proteção infantil no ambiente digital um tema central no debate público.
Para Ana Nery, Especialista em Gênero e Inclusão da Plan Brasil, o Governo e políticas públicas atuam na promulgação e fiscalização de normas que imponham padrões mínimos de segurança e penalidades por descumprimento.
“Provedores de aplicações de internet precisam investir em sistemas de verificação etária robustos, configuração padrão de proteção para usuários e usuárias, moderação de conteúdo escalável e ferramentas de alerta e controle parental. Já familiares e responsáveis legais desempenham papel crucial ao acompanhar o uso que as crianças e adolescentes fazem da tecnologia, dialogar sobre riscos e estabelecer regras bem definidas e nítidas de navegação e conectividade”, ressalta.
A Plan Brasil pondera que proteger crianças e adolescentes no ambiente digital é, antes de tudo, uma medida estratégica para o futuro, uma vez que as experiências vividas online influenciam diretamente a formação emocional, social e educacional das novas gerações. Garantir que esses espaços sejam seguros e adequados à idade significa não apenas reduzir riscos imediatos, mas também promover um uso mais saudável e responsável da tecnologia.
“Quando falamos em proteção, vai muito além das restrições estabelecidas pelas plataformas, acontece a partir do monitoramento, acompanhamento e conversas sobre o ambiente digital e seus perigos, ou mesmo seus benefícios. É importante que crianças e adolescentes saibam identificar uma situação de risco, como um assédio, por exemplo, e que sintam segurança ao comunicar e buscar ajuda de alguém de confiança caso se percebam desconfortáveis ou expostos de alguma forma”, afirma a especialista.
Com o aumento da presença desse publico em plataformas digitais, impulsionado por avanços em jogos online, inteligência artificial e ambientes imersivos, observa-se a necessidade de modelos de proteção e reportes mais eficazes e efetivos, com regulações atualizadas, soluções tecnológicas preventivas e uma cultura de cuidado que acompanhe a evolução do ecossistema digital.
“A forma como sociedade, governos e empresas responderem agora a esses desafios será determinante para definir se o ambiente online do futuro será um espaço de desenvolvimento e inclusão ou de ampliação de desigualdades e riscos para crianças, adolescentes e jovens”, finaliza.












